FEMINICIDIO

Restaurante rende aula e casa para gaúchos em Praia Grande

Vindo do Sul, Leandro Schultz criou raízes no Litoral Paulista e hoje possui uma das maiores churrascarias da cidade

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24 MAI 2019Por LG Rodrigues07h00
Trajetória do gaúcho em terras caiçaras começou no final dos anos 90. Antes Leandro vivia na pequena São José das Missões, no RSFoto: LG Rodrigues/DL

Chegar em uma metrópole após passar toda a vida em uma cidade pequena pode ser um problema para qualquer pessoa e a história não foi diferente para o gaúcho Leandro Schultz Dos Santos. Apesar disso, o susto inicial não impediu que o empresário montasse uma das maiores churrascarias de Praia Grande e hoje, ele é responsável por ceder moradia e apoio a qualquer morador do sul do País que venha para a Baixada Santista pela primeira vez para trabalhar em seu empreendimento.

A trajetória do gaúcho em terras caiçaras começou no final dos anos 90. Leandro vivia na cidade de São José das Missões, que atualmente conta com menos de 3 mil habitantes, e decidiu deixar o município após terminar a colheita de soja. Como o irmão já estava trabalhando em Praia Grande há alguns anos em uma churrascaria local, Leandro decidiu embarcar na mesma viagem e tentar uma vida nova no litoral paulista.

"Eu trabalhava na roça e sempre tive vontade de vir procurar um emprego em São Paulo. Meu pai queria que eu fizesse uma faculdade e para não o atrapalhar eu vim trabalhar aqui por seis meses para juntar um dinheiro", explica.

Inicialmente, Leandro diz que a experiência não deveria durar mais do que seis meses, mas o gosto pelo ofício e o aprendizado de técnicas de churrasco levou o homem a prolongar sua estadia de forma indefinida.

O primeiro emprego começou a render experiência de trabalho e o aprendizado de técnicas de churrasco tornaram o ofício de seis meses de Leandro em uma carreira de 15 anos ao todo.

"A diferença de onde eu vim e onde estou é muito grande, nem sei se posso chamar a cidade onde nasci de pacata. Era um lugar muito parado e vim parar nessa loucura. Era o principal fator que talvez não me fizesse ficar", diz.

Durante todo o tempo em que permaneceu em seu primeiro emprego, Leandro diz ter descoberto que o segredo para criar uma churrascaria de sucesso vai muito além do preparo da carne, o qual ele considera praticamente um ritual, e da origem das peças. Hoje, ele trabalha com carne de origem brasileira, argentina, uruguaia e estadunidense.

"Existia uma cobrança de alguns clientes de que eu abrisse um negócio só meu, mas não era algo que eu cogitava. Sem mais nem menos, num piscar de olhos, eu abri a churrascaria e o público veio. Meu emprego anterior foi onde descobri meu 'know how', éramos muito dedicados aos clientes. Não fazíamos só pelo dinheiro, trabalhávamos por amor. Depois de um tempo a gente não tinha clientes, tínhamos amigos. Hoje as pessoas chegam e as chamamos pelo nome. É uma combinação de bom atendimento, dedicação e principalmente respeito", explica.

Todo o trabalho e a demanda pelo atendimento de qualidade do restaurante levou Leandro a abrir uma segunda unidade de seu empreendimento e hoje a Gaúcho Mallet Grill também pode ser encontrada em Santo André, no ABC Paulista.

"Temos ainda um projeto de montar mais unidades no Brasil e até mesmo nos Estados Unidos mais para frente".

HOSPITALIDADE.

Inspirado pela sua própria trajetória, Leandro decidiu iniciar um pequeno projeto para receber outros profissionais que possuem o objetivo de deixar o Rio Grande do Sul para tentar a vida no Estado de São Paulo.

Devido a isso, o empresário hoje recebe moradores da região sul e cede moradia para quem se interessa em trabalhar na unidade do Canto do Forte, em Praia Grande, do Gaúcho Mallet Grill. Tudo isso, para garantir uma adaptação mais fácil para quem deixa municípios menores e começa a enfrentar a correria das maiores cidades da Baixada Santista.

"Foi da mesma forma como eu cheguei na cidade. Herdei muita coisa no meu emprego anterior. Nós tínhamos um alojamento no qual morávamos e a gente dá moradia aqui também".

Atualmente, o empresário conta com 25 funcionários apenas na Praia Grande, entre gauchos e caiçaras.

MULTIMÍDIA.

E se engana quem acredita que o trabalho do empresário se limita ao atendimento de seus clientes na churrascaria durante as noites. Além das obrigações já usuais, Leandro também participa de transmissões ao vivo nas páginas das redes sociais de sua churrascaria e ele tem a intenção de expandir os conteúdos.

"Estou amadurecendo e já temos até um espaço pronto para criar um canal dentro das redes sociais para mostrar um pouco como é o preparo das carnes. Alguns clientes me perguntam quanto tempo as peças ficam na brasa para estar no ponto, mas o principal é saber que no momento em que você trabalha com comida isso abrange uma esfera muito grande de contexto. É aquele velho ditado: 'Com comida, não se brinca', precisamos ter respeito com todo prato que fazemos, precisamos de carinho e aqui não fazemos o prato por fazer".

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