Décadas depois, moradores ainda relatam os momentos de medo vividos naquele período / Divulgação
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Nem só de belas paisagens vive o Vale do Ribeira. Em abril e maio de 1970, áreas rurais da região foram bombardeadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) durante a Operação Registro, uma ação militar que teve como objetivo capturar integrantes da guerrilha da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
A ofensiva buscava desarticular centros de treinamento de guerrilheiros instalados na região. À época, as atividades eram comandadas pelo capitão Carlos Lamarca, figura central da luta armada contra o regime e considerado inimigo do Estado pelo governo militar.
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Décadas depois, moradores ainda relatam os momentos de medo vividos naquele período. Fragmentos metálicos, como cilindros de aço semelhantes a partes de bombas, foram encontrados recentemente nas proximidades de um rio da região, reforçando os relatos de bombardeios.
Documentos indicam que aeronaves modelos T-6 e B-26 foram utilizadas na operação, com lançamento de bombas de forma indiscriminada. Além dos ataques aéreos, o Exército brasileiro bloqueou estradas e impôs toque de recolher, numa tentativa de “inquietar o inimigo” e controlar a população local.
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O uso de napalm durante a ditadura militar brasileira gerou repercussão na imprensa internacional, com publicações estrangeiras denunciando a utilização de bombas incendiárias em território nacional.
O napalm é uma substância incendiária desenvolvida para uso militar, composta por uma mistura química que transforma combustíveis líquidos em um material gelatinoso altamente inflamável.
Quando empregado em bombas ou armas incendiárias, adere às superfícies e queima por longos períodos, liberando calor extremo e provocando incêndios de grandes proporções.
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Seus efeitos incluem queimaduras profundas, destruição da vegetação e danos severos ao meio ambiente, além de representar alto risco para populações civis. Por esses impactos devastadores, o napalm se tornou símbolo da violência em conflitos armados e passou a ter seu uso restrito por convenções internacionais.