Rebeldes ucranianos que começaram retirada de armamentos pesados; governo rebate

Segundo o ministro de Relações Exteriores da Ucrâniam Pavlo Klimkin, o exército ainda não conseguiu retrair suas armas pesadas porque o bombardeio da artilharia rebelde ainda continua

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24 FEV 201520h30

Os rebeldes pró-Rússia do leste da Ucrânia afirmaram nesta terça-feira ter iniciado uma retirada em grande escala de armamentos pesados, como prevê o plano de paz internacional para a região. Obuses eram retirados de Donetsk, a maior cidade do leste ucraniano dominada pelos rebeldes, e levados para o território controlado pelos separatistas, possibilitando assim, a criação de uma grande zona tampão entre as forças de artilharia dos separatistas e as forças do governo ucraniano.

Oficiais do governo de Kiev, entretanto, disputam essa afirmação. Segundo o ministro de Relações Exteriores da Ucrâniam Pavlo Klimkin, o exército ainda não conseguiu retrair suas armas pesadas porque o bombardeio da artilharia rebelde ainda continua na região. "Você não pode recuar (...) enquanto a artilharia está acima de você", ele disse.

Rebeldes da região vizinha de Lugansk também disseram que a retirada dos armamentos estava em curso. Jornalistas da Associated Press viram mais de dez obuses saindo do Donetsk na direção da cidade de Khartsyzk, cerca de dez quilômetros a leste da linha de conflito. O destino das armas era desconhecido.

O acordo de paz assinado em 15 de fevereiro prevê que armentos pesados sejam recuados, por cada um dos lados, para uma distância que varia entre 25 quilômetros e 70 quilômetros, dependendo do calibre das armas.

O cessar-fogo tem sido prejudicado por violações, o que leva a temores de que não ganhará força e que os combates continuarão. A Rússia nega e o Ocidente afirma que Moscou está enviando soldados e equipamentos para os rebeldes, o que aumentaria a possibilidade de uma guerra ampla na região.

Em entrevista à televisão estatal na segunda-feira, o presidente russo Vladimir Putin disse que "tal cenário apocalíptico é quase impossível".

Neste terça-feira, um site rebelde citou Basurin afirmando que cerca de 100 obuses de 122 mm seriam transferidos ainda hoje.

O lado ucraniano disse que não recuarão suas armas até que o cessar-fogo seja totalmente respeitado.

O porta-voz militar tenente coronel Anatoliy Stelmakh disse nesta terça-feira que os rebeldes haviam atacado a cidade de Popasna sete vezes e lançado uma barragem de artilharia contra a vila de Luhanske.

Stelmakh também disse que os rebeldes tentaram invadir posições ucranianas nas proximidade da vila de Shyrokyne, que fica nas proximidades do estratégico porto de Mariupol, no Mar de Azov.

Há temores de que o objetivo dos rebeldes seja tomar Mariupol para ajudar a estabelecer um corredor terrestre entre a Rússia e a Península da Crimeia, anexada por Moscou em março.