Comprar um imóvel no litoral de São Paulo está cada vez mais caro. A Baixada Santista registrou um dos metros quadrados mais valorizados do Estado, com preço médio de R$ 12.084 no primeiro trimestre de 2026.
O valor é 25% superior à média estadual e representa uma alta de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são da Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pela Brain Inteligência Estratégica para o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP). O levantamento considera os municípios de Santos, Praia Grande, Guarujá, São Vicente e Bertioga.
O resultado confirma uma tendência de valorização que vem se consolidando nos últimos anos. Entre 2024 e 2025, o preço médio dos imóveis na região já havia aumentado 9,3%, evidenciando um mercado que segue aquecido mesmo diante dos desafios econômicos.
Na locação não é diferente: Santos tem o metro quadrado mais caro para aluguel no litoral de São Paulo.
Por que os imóveis estão mais caros?
Entre os principais fatores que explicam a valorização estão a limitação de terrenos disponíveis para novos empreendimentos e o aumento dos custos da construção civil.

Em cidades como Santos, por exemplo, as características do solo e a presença do lençol freático exigem fundações mais complexas e caras, elevando o custo das obras e, consequentemente, o preço final dos imóveis.
Além disso, a forte procura por imóveis na região mantém a pressão sobre os valores, especialmente em áreas próximas à praia e em bairros considerados mais valorizados.
Enquanto os preços avançam, a oferta de novos empreendimentos diminuiu. No primeiro trimestre de 2026, os lançamentos recuaram 26,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação ao último trimestre de 2025, a queda chegou a 47,4%.
Apesar disso, as vendas continuam crescendo. Foram comercializadas 1.289 unidades nos três primeiros meses do ano, um aumento de 8,6% na comparação anual.
Nos últimos 12 meses, a região acumulou 4.629 imóveis vendidos, demonstrando que a demanda permanece elevada mesmo com o encarecimento dos imóveis.
Estoque ainda é considerado confortável
Atualmente, a Baixada Santista possui 5.778 apartamentos disponíveis para venda. Segundo o estudo, caso não houvesse novos lançamentos e o ritmo de vendas fosse mantido, esse estoque seria absorvido em aproximadamente 15 meses. Trata-se do maior prazo de escoamento entre todas as regiões analisadas pela pesquisa.
Ainda assim, o mercado segue saudável, impulsionado pela procura constante por imóveis residenciais e de veraneio.
A pesquisa mostra que os empreendimentos lançados na região estão concentrados principalmente nos segmentos de médio e alto padrão.
Das 758 unidades lançadas no primeiro trimestre, 735 pertencem a essas categorias, representando 97% do total.
Esse perfil reflete tanto o elevado custo dos terrenos quanto a estratégia das construtoras de investir em imóveis com maior valor agregado.
Já os empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida representam apenas 3% dos lançamentos realizados no período.

Apartamentos de dois quartos são maioria
Os imóveis de dois dormitórios continuam sendo os mais procurados e também os mais ofertados na região.
No histórico analisado pela pesquisa, foram registradas mais de 16 mil unidades desse perfil, muito à frente dos imóveis de três dormitórios, que somam cerca de 6,7 mil unidades.
O mesmo cenário se repete no estoque disponível para venda, onde os apartamentos de dois quartos representam mais da metade das unidades ofertadas.
A Baixada Santista também se destaca por seus indicadores econômicos. A região possui uma das maiores rendas médias do Estado, estimada em R$ 7.188,98, fator que ajuda a explicar a capacidade de absorção dos imóveis lançados no mercado.
Segundo a pesquisa, 49% dos entrevistados afirmaram ter intenção de comprar um imóvel. Desse total, 22% pretendem realizar a aquisição nos próximos 12 meses e 26% planejam a compra em até dois anos.
Mercado segue aquecido
Para especialistas do setor, fatores como crescimento da renda, oferta de crédito e formação de novos domicílios continuam impulsionando a procura por imóveis.
Mesmo com menos lançamentos e preços mais elevados, a demanda permanece forte, sustentando as vendas e incentivando novos investimentos imobiliários na região.
Outro indicador que reforça a solidez do mercado é a baixa inadimplência. Atualmente, a taxa de atraso nos pagamentos é de apenas 0,9%, enquanto os distratos — quando o comprador desiste do negócio — representam 4,9% das negociações.
O cenário mostra que, para quem pretende adquirir um imóvel no litoral paulista, a valorização continua em alta e a tendência é que os preços permaneçam pressionados pela combinação entre demanda aquecida e oferta limitada.
