O mercado imobiliário da Baixada Santista apresentou desaceleração em abril de 2026, mas um segmento continua resistindo ao cenário de juros elevados e crédito mais restrito: os imóveis compactos.
Levantamento divulgado pelo CRECISP mostra que apartamentos menores e imóveis funcionais se consolidaram como principal aposta do setor no litoral paulista.
A pesquisa, realizada com 143 imobiliárias da região, aponta queda de 18% nas vendas de imóveis residenciais usados e retração de 33,48% nas locações em comparação com março.
Mesmo assim, o comportamento do consumidor revela uma busca cada vez maior por imóveis que combinem praticidade, metragem reduzida e custo mais acessível.
Apartamentos seguem dominando as negociações
Os apartamentos representaram 57% das vendas realizadas em abril na Baixada Santista, enquanto as casas responderam por 43% das negociações.

Entre os apartamentos vendidos, os imóveis de dois dormitórios lideraram com 52,8% das vendas. Nas casas, esse perfil foi ainda mais dominante, alcançando 70,4% das negociações.
A metragem mais procurada ficou entre 51 m² e 100 m² tanto para compra quanto para locação, reforçando uma tendência de mercado que vem crescendo nos últimos anos.
Segundo o CRECISP, a preferência por imóveis compactos demonstra uma adaptação das famílias ao atual contexto econômico, marcado por financiamentos mais caros, inflação pressionando o orçamento doméstico e necessidade de maior equilíbrio financeiro.
Além do fator econômico, especialistas apontam que mudanças no estilo de vida também influenciam esse movimento. O crescimento do trabalho híbrido, famílias menores e a busca por praticidade vêm impulsionando a procura por imóveis mais funcionais.
O canal Me Poupe!, no Youtube, explica em 5 passos como realizar o sonho da casa própria através do financiamento imobiliário:
Imóveis acima de R$ 500 mil lideram vendas
Mesmo em um cenário mais cauteloso, os imóveis de maior valor continuaram concentrando boa parte das negociações.
Segundo a pesquisa, imóveis acima de R$ 500 mil representaram 39,7% das vendas realizadas em abril. Na sequência aparecem os imóveis entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, com 25,4%, e os de R$ 300 mil a R$ 400 mil, com 22,2%.
O desempenho da faixa superior de preços mostra que o litoral paulista segue atraindo investidores e compradores com maior poder aquisitivo, principalmente em cidades valorizadas da Baixada Santista.
Um levantamento realizado pela empresa imobiliária QuintoAndar, com exclusividade para o Jornal Diário do Litoral, aponta que Santos possui o maior valor do metro quadrado para aluguel entre as cidades do litoral sul de São Paulo.
Regiões periféricas ganham espaço
As áreas periféricas e regiões em expansão urbana lideraram a procura por imóveis, concentrando 35,5% das vendas e 38,2% das locações.
As áreas nobres vieram logo atrás, com 33,9% das vendas, enquanto as regiões centrais registraram 30,6% da demanda.
O levantamento indica que muitos consumidores passaram a priorizar custo-benefício e imóveis localizados em bairros com preços mais acessíveis, mas ainda com boa infraestrutura urbana.
Ao mesmo tempo, imóveis bem localizados continuam sendo vistos como ativos seguros para investimento, principalmente em cidades litorâneas com forte valorização imobiliária.
Compra à vista cresce no litoral
Outro dado que chama atenção é a predominância das compras à vista. A modalidade respondeu por 37,1% das negociações realizadas em abril.
O financiamento pela Caixa Econômica Federal apareceu em seguida, com 33,9%, enquanto os acordos diretos entre compradores e proprietários somaram 14,5%.
Segundo o CRECISP, esse comportamento demonstra cautela dos consumidores diante das taxas de juros ainda elevadas no mercado imobiliário.

Locações têm maior queda do período
O segmento de locação registrou a retração mais intensa em abril, com queda de 33,48%.
Mesmo assim, os imóveis compactos seguiram liderando a preferência dos locatários. Os apartamentos representaram 65% dos contratos fechados no período.
Entre os imóveis alugados, predominam unidades de um e dois dormitórios, além de metragem de até 100 m² nos apartamentos e até 50 m² nas casas.
A pesquisa mostra ainda que os aluguéis acima de R$ 3 mil concentraram a maior parte das negociações.
Caução substitui fiador
O levantamento também aponta mudanças importantes no perfil das garantias locatícias.
O depósito caução liderou amplamente os contratos de aluguel, presente em 59,5% das negociações. O seguro-fiança apareceu em seguida, com 33,8%.
Já o tradicional fiador não foi registrado em nenhuma locação realizada pelas imobiliárias participantes da pesquisa durante abril.
Segundo o CRECISP, o movimento reflete uma modernização do mercado imobiliário, com consumidores e proprietários buscando soluções mais rápidas, menos burocráticas e com maior segurança jurídica.
Apesar da retração registrada em abril, o acumulado dos últimos 12 meses segue positivo para o setor na Baixada Santista.
As vendas cresceram 76,36% no período, enquanto as locações avançaram 175,47%.
Para o CRECISP, o cenário atual reforça a importância do corretor de imóveis na condução das negociações, principalmente em um ambiente econômico mais seletivo e com mudanças constantes nas regras de crédito, financiamento e garantias locatícias.
