De acordo com a ação, as abordagens eram frequentes e, em alguns casos, violentas / Imagem gerada por IA
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A Justiça de São Paulo condenou o Estado a pagar uma indenização de R$ 15 mil a um metalúrgico que foi preso oito vezes por engano após falhas em sistemas de identificação policial. O caso expõe erros graves em bancos de dados de segurança pública e levanta debate sobre o uso de tecnologia nas abordagens.
Segundo o processo, o problema começou em 2019, quando um criminoso preso em flagrante apresentou documentos com os dados do trabalhador, como CPF e RG, se passando por ele. Desde então, mesmo após decisões judiciais reconhecendo o erro, o metalúrgico continuou sendo tratado como suspeito.
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De acordo com a ação, as abordagens eram frequentes e, em alguns casos, violentas. Em uma das ocorrências, registrada em agosto de 2024, o trabalhador foi cercado por policiais do Baep enquanto dirigia.
“Os policiais cercaram seu veículo e apontaram armas, tratando-o como um criminoso perigoso”, afirmaram os advogados. Ele chegou a ser levado para a delegacia e ficou detido por cerca de uma hora até que o erro fosse reconhecido.
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Em outro episódio, foi abordado enquanto lavava o carro em frente de casa.
As situações recorrentes fizeram com que o metalúrgico passasse a evitar sair de casa, principalmente à noite, com medo de novas abordagens e até de uma possível tragédia.
As situações recorrentes fizeram com que o metalúrgico passasse a evitar sair de casa, principalmente à noiteA defesa aponta que o problema está ligado ao Detecta, sistema utilizado pelo governo paulista para identificar suspeitos a partir de dados e placas de veículos.
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Mesmo após determinação judicial para corrigir o cadastro, o nome do trabalhador continuou vinculado ao sistema, fazendo com que ele fosse constantemente confundido com o verdadeiro criminoso.
Ao analisar o caso, a desembargadora Flora Tossi Silva destacou que o metalúrgico sofreu “aflição, sofrimento, humilhação e vexame” devido à falha do Estado.
A magistrada ressaltou que o erro persistiu mesmo após ordens judiciais para correção dos dados, o que agravou a responsabilidade estatal.
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Com a expansão de sistemas como Detecta e Smart Sampa, cresce também a preocupação com erros de identificaçãoA indenização foi fixada em R$ 15 mil, valor considerado proporcional ao dano, levando em conta:
A Justiça também considerou que, apesar das detenções, não houve prisão prolongada nem uso de algemas ou violência física.
O objetivo, segundo a decisão, é compensar o dano e também ter caráter pedagógico, sem gerar enriquecimento indevido.
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O Estado ainda pode recorrer.
Na defesa, a Procuradoria Geral do Estado argumentou que o erro ocorreu por culpa do criminoso que utilizou documentos falsos em 2019.
O órgão também afirmou que não houve dano moral relevante, alegando que as abordagens fazem parte do exercício regular da atividade policial.
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Além disso, informou que o cadastro já teria sido corrigido.
O caso não é isolado. Situações de pessoas presas ou abordadas por engano têm se repetido no Brasil, muitas vezes ligadas a falhas em sistemas de dados ou investigações.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal também condenou o Estado de São Paulo a indenizar um homem que ficou preso por sete anos sem provas, após falhas no processo judicial .
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Especialistas apontam que o uso crescente de tecnologias como reconhecimento facial e bancos de dados integrados exige maior controle e atualização das informações para evitar injustiças.
Com a expansão de sistemas como Detecta e Smart Sampa, cresce também a preocupação com erros de identificação.
Em outro caso recente, um homem foi abordado diversas vezes após ser confundido com um foragido devido à semelhança no nome e falhas no cruzamento de dados biométricos .
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A discussão agora gira em torno de um ponto central: como equilibrar segurança pública e direitos individuais em um cenário cada vez mais digital.