Presidente da Nigéria evita prometer resgatar meninas sequestradas há um ano

Dezenas de meninas conseguiram escapar da floresta Sambisa, mas 219 ainda estão desaparecidas. Elas foram separadas e testemunhas dizem que algumas foram levadas para Camarões

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14 ABR 201515h31

No primeiro aniversário do sequestro de centenas de meninas por extremistas islâmicos em uma escola no nordeste da Nigéria, o presidente do país, Muhammadu Buhari, afirmou que não pode prometer encontrar todas as 219 que ainda estão desaparecidas.

"Nós não sabemos se as garotas de Chibok podem ser resgatadas. O paradeiro delas permanece desconhecido", disse Buhari em um comunicado. "Por mais que eu deseje, não posso prometer que vamos encontrá-las", acrescentou.

O comunicado de Buhari, um ex-legislador militar da Nigéria que foi democraticamente eleito em 28 de março, marca uma grande diferença em relação ao presidente anterior, Goodluck Jonathan, que, depois de negar inicialmente que as meninas haviam sido sequestradas, fez promessas de que iria resgatá-las.

Um ano depois do sequestro em massa em uma escola de Chibok, a esperança diminuiu. Ativistas estão marcando a data com uma mudança em seu slogan de "Tragam de volta nossas meninas - Agora e vivas" para "Nunca serão esquecidas". "Nós ouvimos as angústias de nossos cidadãos e pretendemos responder de acordo", disse Buhari no comunicado. "Essa nova abordagem também precisa começar com honestidade."

Dezenas de meninas conseguiram escapar da floresta Sambisa, mas 219 ainda estão desaparecidas. Elas foram separadas e testemunhas dizem que algumas foram levadas para Camarões.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora de um Nobel da Paz, transmitiu uma mensagem de esperança para as meninas nigerianas e disse que elas nunca devem perder a coragem. As meninas foram sequestradas pelo Boko Haram e o líder do grupo extremista, Abubakar Shekau, afirmou que as converteu ao Islã e as casou com combatentes.

Pelo menos 2 mil mulheres e meninas foram sequestradas pelo Boko Haram desde o começo de 2014 e muitas foram forçadas a servir de escravas sexuais e treinadas para combate, segundo a Anistia Internacional. Centenas de meninos e rapazes também foram sequestrados e forçados a lutar ao lado dos extremistas.