Premiê de Israel critica acordo nuclear do Ocidente com o Irã

Netanyahu considera que o acordo mantém a estrutura das usinas intactas

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03 ABR 201512h43

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que seu gabinete se opõe fortemente ao acordo nuclear preliminar estabelecido pelo Irã e o Ocidente e exigiu que o acordo final contenha o reconhecimento do direito de existência de Israel.

O Irã e seis potências mundiais anunciaram ontem uma série de entendimentos e o compromisso de fechar um acordo final até 30 de junho. A ideia é que o acordo final reduza significativamente a capacidade tecnológica do Irã de utilizar seu programa nuclear para a construção de bombas em troca do acesso do país aos mercados e ativos que foram bloqueados nas sanções internacionais.

Netanyahu criticou duramente as negociações, exigindo que o programa fosse interrompido. Segundo o premiê israelense, o Irã não é confiável e a manutenção de algumas usinas dará espaço para que construam uma bomba. O Irã nega ter ambições bélicas e diz que seu programa tem fins pacíficos.

As vésperas do feriado de Páscoa judeu, Netanyahu reuniu seu gabinete para uma sessão especial a fim de discutir a plano preliminar fechado entre o Ocidente e o Irã. "Israel não vai aceitar um acordo que permita um país que deseja nos aniquilar a desenvolver armas nucleares", afirmou Netanyahu após o encontro. Mas considerando a possibilidade do acordo final ser fechado, o premiê acrescentou que deve incluir "um claro e não ambíguo reconhecimento do direito de existência de Israel". Ele afirmou ainda que seu gabinete "está fortemente unido na oposição ao acordo", o qual é uma ameaça à sua sobrevivência.

"Tal acordo não bloqueia o caminho do Irã em direção à bomba", disse Netanyahu. "Ta acordo pavimenta o caminho do Irã para a bomba. E pode muito bem provocar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio e aumentar os riscos de uma terrível guerra".

O compromisso alcançado ontem, se cumprido, reduzirá sensivelmente o volume de usinas nucleares em dez anos e restringirá a capacidade de enriquecimento das remanescente. Nos dez primeiros anos, os programas de enriquecimento de urânio serão totalmente interrompidos e 95% dos estoques serão liquidados ou transferidos para outro país. Mais de 5 mil centrífugas da usina de Natanz serão coletadas do local e colocadas sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês).

A usina de Fordow, uma preocupação da Casa Branca, será substituída por um "centro de pesquisa avançado". Mais de mil centrífugas continuarão a funcionar. Das 19 mil centrífugas existentes no país, 5 mil delas poderão continuar suas atividades a 3,75%. Também não será feito enriquecimento de urânio fora de Natanz e o Irã se comprometeu a aplicar um protoloco adicional em programa de monitoramento e dar mais acesso aos inspetores da ONU.

Netanyahu considera que o acordo mantém a estrutura das usinas intactas. "Eles não irão fechar uma única usina e não vão destruir uma única centrífuga e não interromperão as pesquisas e o desenvolvimento do Irã em centrífugas mais avançadas", disse. "Ao contrário, o acordo legitimará o programa nuclear ilegal do Irã. Deixará o país com uma vasta infraestrutura nuclear. Uma vasta infraestrutura nuclear continua existindo", acrescentou.