Prefeitura paga salários de assessores de Beto Mansur e Papa

Tem gente paga por Santos trabalhando até para os governos Geraldo Alckmin e Michel Temer

Dois funcionários públicos de Santos – uma oficial de administração e um engenheiro – trabalham como assessores dos deputados federais João Paulo Tavares Papa (PSDB) e Beto Mansur (PP), mas seus salários são pagos pelo contribuinte santista e não pela Câmara dos Deputados.

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A servidora que trabalha com Papa é responsável pela organização administrativa e financeira no escritório de representação política dele e recebe pouco mais de R$ 12 mil. Já o que trabalha com Mansur recebe quase 27 mil. Santos desembolsa, portanto, cerca de R$ 39 mil mensais somente para atender os dois parlamentares.

A cessão remunerada não deixa de ser intrigante, visto que ao mesmo tempo que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) ‘tira dos ombros’ de Mansur e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) a responsabilidade de manter os vencimentos de seus funcionários, ‘joga um balde de água fria’ no funcionalismo de Santos anunciando que não dará reajuste salarial este ano.

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Mas os dois exemplos dados pelo Diário são apenas uma parte dos 208 funcionários cedidos e pagos pelos santistas. Sai também dos cofres municipais os salários de uma psicóloga e três médicos (funções importantes à rede pública municipal), que trabalham para o Governo do Estado de São Paulo.

Vale lembrar que todas as informações podem ser conferidas no quadro de servidores cedidos, no Portal Cidade Aberta, da Prefeitura de Santos, que garante a legalidade das cessões e que alguns salários são pagos pelo órgão em que o servidor está atuando.

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Listão

O ‘listão’ de cedidos é grande. Tem funcionário pago pelo município trabalhando em várias prefeituras (inclusive de outros estados) e câmaras da região – até de Santa Fé do Sul – institutos, fundações, cartórios, zonas eleitorais, autarquias e outros órgãos, como por exemplo no 7º Distrito Policial de Santos.

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Tem ainda na Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, na Junta Comercial do Estado de São Paulo, Sindicato dos Médicos de Santos e região, e nos ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, e da Saúde do Governo Michel Temer (PMDB).   
     
Denúncia

A situação já chegou à Câmara e também foi reportagem do Diário do Litoral. Na última quinta-feira (16), a vereadora Telma de Souza (PT) denunciou que a Administração Paulo Alexandre Barbosa banca o salário de 72 funcionários cedidos a órgãos públicos e outras cidades do Brasil.

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Conforme a vereadora, a despesa mensal chegaria a R$ 400 mil. Numa conta básica, no final de um ano, contando 13º salário, a conta ficaria em R$ 5,2 milhões.

Telma acredita que existem servidores recebendo também do local de trabalho e, se isso estiver ocorrendo, é muito grave, “pois fere o artigo 37, parágrafo 16, da Constituição, que veda a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto quando houver compatibilidade de horários”, afirma a parlamentar em um requerimento apresentado e aprovado em plenário.

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Requerimento

Durante a sessão, a parlamentar apresentou um requerimento ao prefeito fazendo os seguintes questionamentos: como a Administração controla os servidores cedidos; qual o mecanismo de fiscalização adotado sobre o cumprimento do serviço durante a sessão; se a Prefeitura entende como legítimas as cessões, especialmente para fora do município e qual foi o valor dispensado, incluindo benefícios, para pagamento dos funcionários cedidos nos últimos quatro anos e no mês de janeiro deste ano.

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Telma de Souza quer saber mais: qual a opinião da Prefeitura sobre os altos salários pagos a funcionários cedidos e, por fim, a Prefeitura controla ou tem conhecimento dos servidores cedidos que recebem salários também dos seus atuais empregadores.

Prefeitura

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Procurada, a Prefeitura de Santos garante que cessão de funcionários é uma prática legal dentro do Poder Público e permite ao servidor desempenhar cargo em comissão, função de confiança ou visando atender uma finalidade pública, com o propósito de cooperação com as Administrações Estaduais, Municipais e Federais.

A Administração informa que conta com 23 servidores de outros órgãos que foram cedidos com os custos pagos pela Administração de origem e confirmou que paga o salário da servidora que está à disposição do Gabinete do deputado João Paulo Tavares Papa o engenheiro cedido ao gabinete do Deputado Beto Mansur.

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A Prefeitura conclui revelando que a jornada de trabalho de todos os servidores cedidos é controlada pelo órgão que os recebe e que pelo menos dois médicos citados pediram exoneração da Prefeitura no final de 2016 e o processo está em andamento.

A Reportagem procurou os deputados João Paulo Papa e Beto Mansur. O primeiro, por sua assessoria, confirmou a informação. O segundo não respondeu até às 18h30 horas, fechamento dessa reportagem.