Pizzaria de bairro vira alvo de operação que prendeu Deolane após faturamento de R$ 0,04

A empresa na capital paulista é suspeita de ocultar patrimônio e lavar dinheiro para a facção PCC

Montagem com a fachada de uma pizzaria de bairro com a foto de Deolane Bezerra

Uma pizzaria do Cambuci virou alvo da Operação Vérnis, que prendeu Deolane Bezerra/Google Street View e Van Campos/AgNews

A Pizzaria Chatubão, localizada no Cambuci, na região central de São Paulo, passou a integrar o foco das investigações da Operação Vérnix, ação policial que também resultou na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra. As informações foram divulgadas neste sábado (23) pela CNN.

Segundo os relatórios do inquérito, a pizzaria apresenta inconsistências financeiras e operacionais compatíveis com as estruturas de ocultação patrimonial e possível lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento e os fatos ainda serão analisados pela Justiça, com garantia de ampla defesa aos envolvidos.

Pizzaria de bairro

Aberta em julho de 2014, a empresa Chatubão possuía dois sócios com participação igualitária na sociedade. Um deles morreu em abril de 2020 e tinha antecedentes relacionados à Lei de Drogas. Apesar do funcionamento formal do estabelecimento, os investigadores não encontraram registros de funcionários vinculados à pizzaria durante a análise.

As apurações apontam que a pizzaria movimentou R$ 566,5 mil entre janeiro de 2018 e julho de 2022. Deste montante, os documentos indicam que cerca de R$ 537,5 mil, equivalente a quase 95% das transações, teriam origem não identificada.

O inquérito também destaca movimentações consideradas incompatíveis com a atividade comercial do estabelecimento. Em 2018, por exemplo, o valor movimentado por cartão teria sido de apenas R$ 0,04 ao longo de todo o ano. Até julho de 2019, esse total teria chegado a R$ 58,35.

Os depósitos em dinheiro vivo também chamaram atenção dos investigadores. Conforme os extratos bancários analisados, a pizzaria Chatubão teria recebido apenas R$ 2.120 em espécie, sem identificação de CPF ou CNPJ vinculados às operações.

Segundo a polícia, a pizzaria faria parte de uma rede de empresas suspeitas de fragmentar valores financeiros para dar aparência de legalidade a operações atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Operação que prendeu Deolane

A Operação Vérnix teve origem em investigações iniciadas em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo as autoridades, os documentos continham informações sobre a estrutura interna da facção, contatos entre integrantes e possíveis planos envolvendo agentes públicos.

Em nota, a defesa de Deolane Bezerra afirmou que ela possui “absoluta inocência” e classificou as medidas adotadas pela Justiça como desproporcionais. Os advogados disseram ainda que irão colaborar com as investigações para comprovar a legalidade das atividades exercidas pela influenciadora.