Uma investigação que começou com um achado incomum dentro de uma penitenciária paulista acabou levando a uma megaoperação contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, bilhetes encontrados no sistema de esgoto de uma unidade prisional foram a primeira peça de uma apuração iniciada há sete anos e que resultou na Operação Vérnix.
A ação realizada nesta quinta-feira (21) cumpriu mandados de prisão e busca contra suspeitos de participação no esquema investigado.
Entre os alvos está a influenciadora Deolane Bezerra, além de familiares ligados ao entorno de Marcos Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.
Investigação começou em presídio paulista
De acordo com investigadores, a origem do caso remonta a uma inspeção realizada em uma cela de um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Durante a ação, policiais penais encontraram cartas e bilhetes descartados no sistema de esgoto da unidade. As equipes recolheram o material e o encaminharam ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, que passou a atuar em conjunto com a Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A partir da análise dos documentos, os investigadores identificaram movimentações suspeitas que resultaram na abertura de três inquéritos policiais.
À medida que as investigações avançaram, as autoridades localizaram uma transportadora suspeita de atuar na movimentação financeira e na possível ocultação de recursos ligados à facção criminosa.
Relembre: Deolane Bezerra esteve envolvida em diversos problemas com a justiça nos últimos quatro anos.
Quebras de sigilo revelaram movimentações financeiras
Segundo a Polícia Civil, a análise de documentos bancários, dados fiscais e informações obtidas em aparelhos apreendidos apontou uma estrutura considerada sofisticada para movimentação financeira.
Segundo as autoridades, envolvidos no esquema teriam utilizado empresas de fachada, contas bancárias e aquisição de bens de alto valor para dificultar a identificação da origem dos recursos.
Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Edmar Caparroz, afirmou que a investigação identificou vínculos financeiros entre a transportadora investigada e Deolane Bezerra. Confira a entrevista na íntegra:
Segundo os investigadores, a influenciadora teria recebido transferências financeiras da empresa alvo da operação. As autoridades também informaram que não identificaram prestações de serviço formais que justificassem essas movimentações.
As autoridades seguem com as investigações, e a Justiça ainda analisará as suspeitas ao longo do processo judicial.
Operação bloqueou mais de R$ 327 milhões
Além das prisões, a Operação Vérnix determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em valores considerados suspeitos pelas autoridades.
Também foram sequestrados:
- 17 veículos, incluindo automóveis de luxo;
- quatro imóveis ligados aos investigados;
- outros bens que podem ter relação com as apurações.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a operação busca atingir estruturas financeiras utilizadas pelo crime organizado para movimentar recursos e ocultar patrimônio.
Familiares ligados a Marcola também foram alvo
As investigações também alcançaram familiares próximos de Marcola. Segundo os investigadores, Paloma Camacho teria deixado o Brasil e estaria atualmente na Espanha, constando na lista vermelha da Interpol. Já Leonardo Camacho estaria sendo procurado na Bolívia.
Ainda conforme as autoridades, novos mandados também foram comunicados a Marcos Camacho e ao irmão dele, Alejandro Camacho, ambos já presos em unidades federais.
A Operação Vérnix contou com apoio do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e, segundo investigadores, representa mais uma etapa das ações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao enfraquecimento financeiro de organizações criminosas.
