Papo de Domingo: “Essa ideia é patética”

O presidente da Federação de Cinofilia do Estado de São Paulo, Paulo Eduardo Costa, fala sobre o projeto que proíbe o uso de cães por empresas de segurança privada e de vigilância

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17 MAI 201512h11

A aprovação, pela Câmara Municipal de São Paulo, do projeto que proíbe o uso de cães por empresas de segurança privada e de vigilância na cidade pode levar ao sacrifício de 500 animais somente na Capital. Neste Papo de Domingo, o presidente Federação de Cinofilia do Estado de São Paulo, Paulo Eduardo Costa, morador da região, explica os problemas que a lei pode acarretar caso seja sancionada pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Diário – Você representa cinco mil canis em todo o Estado. Como vê essa aprovação?

Paulo Eduardo Costa – Simplesmente patética. Seria mais o menos como você proibir as pessoas de ficarem doentes para não ocuparem os hospitais. A alegação para aprovação da proposta é que os animais são mantidos em ambientes insalubres, não sendo tratados de forma compatível. Isso é exceção e não regra.

Diário – Mas isso ocorre em alguns casos, ou não?

Paulo Costa – Em alguns aspectos concordo. Mas eu não posso concordar com o sacrifício de 500 cães sadios e treinados para segurança particular. Se esses animais forem impedidos de executar a tarefa a qual foram criados e selecionados, terão que ser mortos, pois eles só se prestam para a guarda. Eles nunca se tornarão de companhia.

Diário – Além disso, há outras consequências?

Paulo Costa – Sim. Vamos onerar o serviço público, porque no lugar de um cão teremos um segurança. A condição insalubre que o cão estaria submetido vai se estender ao trabalhador. Seria mais inteligente, ponderado e racional criar regras e leis que protegessem e valorizassem os animais. Que estabelecesse um sistema de fiscalização mais rigoroso ao invés de proibir a atividade dos cães.

Diário – Essa lei pode ser estendida em todo o Estado?

Paulo Costa – Sim e tramitando na Assembleia Legislativa. Vai crescer o número de sacrifícios monstruosamente. Isso é maldade. Não há como construir canis especiais para manter os cães. Essa lei não atinge a essência do problema. Ela vai fechar centenas de empresas de segurança com uso de cães. Se o governador sancionar, o Estado de São Paulo passará a ser o pioneiro nesta enorme idiotice.

Diário – O prefeito Haddad pode vetar ainda.

Paulo Costa – Rezo para que isso ocorra. Eu discuto até a legalidade dela (da lei), pois impede uma atividade comercial estabelecida. O cão existe para servir o homem. Cada raça tem uma característica. Quando você compra, por exemplo, um pitbull, está pensando na guarda e proteção do patrimônio, assim como o pastor alemão e rottweiler. Eles são criados e condicionados para essa atividade. Quando você pensa em cão de companhia, compra um dálmata e outros. O trabalho do criador não é de estética, mas de personalidade dos animais.

Diário – É um que exige estudos e muita dedicação.

Paulo Costa – Sim. Genético, que leva anos de estudos e que será jogado no lixo, por conta de uma proibição estúpida. Quando se interrompe uma atividade comercial deste nível, está se colocando em risco uma série de empresas e famílias que dependem da atividade. Não esquecendo o sacrifício dos cães, que não conseguirão se adaptar à companhia. Os cães de guarda são manejados por técnicos. Não se recondiciona um cão deste nível. É como querer mudar os hábitos de seres humanos depois de adultos.

Diário – Essa lei vai prejudicar ainda mais a segurança de forma geral?

Paulo Costa – Com certeza. Fomos proibidos de ter armas. Poderemos perder os cães de guarda. Vamos receber os bandidos e oferecer chá, café e bolo. Há uma verdadeira dicotomia de entendimentos. Há comentários na minha página no Facebook de pessoas ligadas à área que estão indignadas. Pessoas ligadas à proteção dos animais, inclusive.