Papa pede perdão por abusos sexuais na Igreja

Os comentários improvisados de Francisco foram o mais recente sinal que ele se sensibilizou para a gravidade do escândalo dos abusos

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11 ABR 201421h59

O papa Francisco disse nesta sexta-feira, 11, que ele assume responsabilidade pessoal pelo "mal" dos padres que estupraram e molestaram crianças, pedindo perdão de vítimas e dizendo que a Igreja deve ser ainda mais ousada em seus esforços para proteger os jovens.

Os comentários improvisados de Francisco foram o mais recente sinal que ele se sensibilizou para a gravidade do escândalo dos abusos, após ser criticado por grupos que representam vítimas por uma suposta falta de atenção e compreensão sobre o dano que isso causou à Igreja e aos seus integrantes.

No mês passado, o papa nomeou os primeiros integrantes de uma comissão que vai aconselhá-lo nas melhores práticas para combater abuso sexual na Igreja. O painel vai abordar o tema crítico de sanções a bispos que acobertam pedófilos.

O papa Francisco pediu perdão por abusos sexuais na Igreja (Foto: Associated Press)

O papa deu a declaração aos integrantes do Escritório Internacional Católico da Infância (Bice, na sigla em francês), uma rede francesa de organizações que protegem direitos de crianças. Sentado com eles em sua biblioteca ontem, Francisco falou lentamente, deliberadamente e suavemente em seu nativo espanhol, desviando de seu texto preparado.

"Me sinto impelido a tomar responsabilidade pessoal por todo o mal que alguns padres, muitos em número - embora não em comparação com a totalidade - em assumir responsabilidade pessoal e pedir perdão pelo dano que eles causaram pelo abuso sexual de crianças", disse o pontífice.

Nenhum papa jamais tomou responsabilidade pessoal pelas dezenas de milhares de crianças que foram molestadas por padres ao longo das décadas, conforme bispos os transferiam de paróquia em vez de denunciá-los à polícia. O papa João Paulo II (morto em 2005) denunciou os padres que abusam de crianças, dizendo que não havia lugar para eles no sacerdócio. O papa Bento XVI (que renunciou no ano passado) expressou lamentação e arrependimento com as vítimas, se encontrou com elas e até chorou. Mas nenhum dos dois pediu perdão como Francisco.