ONU diz que 21 milhões de crianças no Oriente Médio podem ficar sem educação

Mais de 15 milhões de crianças já estão fora da escola na região enquanto outras 6 milhões correm um grande risco de deixá-la

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15 ABR 201516h53

Um total estimado de 21 milhões de crianças no Oriente Médio e no norte da África está fora da escola ou corre o risco de abandonar os estudos, apesar da melhora no acesso à educação na região ao longo da última década, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU) em relatório divulgado nesta quarta-feira.

Os governos da região, que incluem 20 países que vão do Marrocos ao Iraque, têm investido em educação ao longo dos últimos dez anos, o que ajudou a elevar a porcentagem de crianças na escola, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O progresso, porém, desacelerou nos últimos anos, diante do conflito, da pobreza e da discriminação.

"Em um momento de tanta mudança e turbulência, esta região simplesmente não pode se dar ao luxo de deixar 21 milhões de crianças ficarem pelo caminho", afirmou Maria Calivis, diretora regional da Unicef. "Essas crianças precisam ter a oportunidade de adquirir as habilidades que necessitam através da educação a fim de cumprir seu papel na transformação regional."

Mais de 15 milhões de crianças já estão fora da escola na região enquanto outras 6 milhões correm um grande risco de deixá-la, segundo o documento. Vários fatores contribuem para o problema, incluindo conflitos armados, discriminação de gênero, trabalho infantil, padrões de educação ruins e a pobreza.

As guerras na Síria e no Iraque, dois países que costumavam ter altas taxas de escolarização, têm um impacto particularmente grave. Apenas nesses países, cerca de 3 milhões de crianças não estão na escola por causa do conflito.

A escalada da violência no Iêmen e na Líbia deve ter um impacto similar na educação. "Conforme a violência se expande, milhões mais correm o risco de se tornar uma 'geração perdida', privados do conhecimento e das habilidades necessárias para ser adultos bem-sucedidos", afirmam as agências em comunicado.

As garotas têm 25% a menos de chance de ir à escola na região, mas uma vez que passem a frequentar é mais difícil que deixem o colégio, segundo o relatório. Crianças que entram tarde na escola têm mais chances de abandoná-la que aquelas que começam na idade apropriada. As agências da ONU pedem aos governos que ampliem seus esforços para garantir a educação para famílias em dificuldades, particularmente nas zonas rurais mais pobres.