O que você precisa deixar organizado para que o pós-morte seja ‘tranquilo’ para a família

Conversar sobre senhas, documentos, desejos e decisões médicas pode reduzir conflitos, burocracias e sofrimento emocional após a perda de um ente querido

Segundo especialistas, deixar essas orientações registradas reduz incertezas e evita que familiares precisem tomar decisões difíceis (Pexels)

Falar sobre a morte ainda é um tabu para muitas famílias brasileiras. O assunto costuma ser evitado por despertar tristeza, medo ou desconforto. No entanto, especialistas defendem que organizar questões práticas relacionadas ao fim da vida pode representar um importante gesto de cuidado com aqueles que ficam.

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Desde a definição de tratamentos médicos até o acesso a documentos, senhas e redes sociais, uma série de decisões podem ser planejadas antecipadamente para evitar conflitos familiares, dificuldades burocráticas e dúvidas em momentos já marcados pela dor da despedida.

A proposta é defendida pelo empreendedor social Tom Almeida, fundador do Movimento Infinito e idealizador do projeto “Pra quando eu morrer”, iniciativa que busca estimular conversas mais abertas sobre a finitude.

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“Quando meu pai chegou na fase final de vida e pude fazer o que ele me pediu, me senti muito bem. Apesar da tristeza, a conversa oferece uma forma de cuidado e também ferramentas para enfrentar o luto”, afirma, em entrevista ao canal Viver Bem da UOL.

O que pode ser resolvido antes da morte?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não é necessário ser idoso, ter uma doença grave ou possuir um grande patrimônio para organizar informações importantes sobre o fim da vida.

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O primeiro passo é refletir sobre questões que podem impactar diretamente familiares e amigos em situações de emergência ou após o falecimento.

Entre os principais pontos estão:

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  • Quem tomará decisões médicas caso a pessoa não consiga se comunicar;
  • Quais tratamentos e procedimentos médicos aceita ou rejeita;
  • Preferência por sepultamento ou cremação;
  • Tipo de cerimônia ou ritual religioso desejado;
  • Destino das redes sociais e arquivos digitais;
  • Organização de documentos e informações financeiras.

Segundo especialistas, deixar essas orientações registradas reduz incertezas e evita que familiares precisem tomar decisões difíceis sem conhecer a vontade da pessoa.

Diretivas médicas e testamento vital

Uma das principais recomendações é a elaboração das chamadas Diretivas Antecipadas de Vontade, também conhecidas como testamento vital.

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O documento permite registrar preferências sobre tratamentos em situações graves de saúde, como uso de aparelhos para prolongamento da vida, internação em UTI, ventilação mecânica, alimentação artificial e sedação paliativa.

Além disso, é possível indicar uma pessoa de confiança para representar seus interesses em decisões médicas quando não houver capacidade de manifestação.

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Documentos, contatos e informações financeiras

Outra orientação importante é reunir documentos essenciais em local conhecido por familiares de confiança.

Entre eles estão RG e CPF; certidões de nascimento ou casamento; cartão do SUS; carteirinha do plano de saúde; informações previdenciárias; e documentos de imóveis e veículos.

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Também é recomendável manter uma lista atualizada de contatos importantes, incluindo familiares, amigos próximos, médicos e advogados.

No campo financeiro, especialistas alertam que não é indicado compartilhar senhas bancárias livremente. Porém, informar a existência de contas, investimentos, financiamentos, seguros e eventuais dívidas pode facilitar o processo de inventário e evitar transtornos futuros.

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O desafio da herança digital

Se antigamente a preocupação estava restrita aos bens materiais, hoje a vida digital também passou a exigir planejamento.

Perfis em redes sociais, contas de e-mail, serviços de armazenamento em nuvem, fotografias e documentos digitais podem se tornar inacessíveis após a morte.

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Por isso, cresce a recomendação para que as pessoas definam previamente quem ficará responsável pela gestão desses conteúdos e quais plataformas deverão ser encerradas ou transformadas em memoriais.

Conversar sobre a morte pode aliviar o luto

Para a psicóloga e especialista em luto Maria Helena Pereira Franco, a falta de diálogo costuma aumentar o sofrimento emocional de familiares após a perda.

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Segundo ela, saber quais eram os desejos da pessoa ajuda a diminuir sentimentos de culpa e dúvidas durante o processo de despedida.

“A possibilidade de deixar orientações expressas ajuda muito a família. Essa noção do que seria desejado pela pessoa ameniza o processo de luto porque reduz a dúvida sobre estar fazendo algo contrário ao que ela queria”, explica.

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Especialistas reforçam que planejar questões relacionadas ao fim da vida não significa antecipar a morte, mas sim organizar aspectos importantes da existência enquanto há autonomia para tomar decisões.

Além de facilitar procedimentos burocráticos e legais, o planejamento pode evitar conflitos familiares e tornar um momento inevitavelmente doloroso um pouco menos difícil.

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Como resume Tom Almeida, idealizador do projeto sobre finitude: “Organizar tudo antes de partir é um ato de amor. É uma das últimas formas de dizer ‘eu te amo’.”