Com o som da sanfona, o ritmo da zabumba e a energia contagiante de pessoas que viajam de diversos cantos do país em busca de alegria, Ilhabela se transforma, mais uma vez, em um grande palco cultural. A 13ª edição do Festival Forró na Ilha, que acontece de 30 de abril a 2 de maio de 2026, consolida-se como um dos eventos de forró pé de serra mais importantes do Sudeste.
Mais do que música, o festival promove um profundo sentimento de pertencimento. O evento atrai cerca de 1.500 pessoas por dia e a previsão é que injete aproximadamente R$ 1,2 milhão na economia local, impactando diretamente os setores de turismo, hotelaria, gastronomia e indústrias criativas. Em uma cidade onde o turismo é o principal motor econômico, a ocasião impulsiona o número de visitantes e fortalece a prestação de serviços, especialmente durante feriados prolongados.

Comunidade e tradição
As caravanas são a prova da escala do evento. A produtora paulistana Priscila Silva, responsável pelo Forró Trip SP, transformou o encontro em uma tradição, organizando grupos que viajam anualmente para o arquipélago. “Tornou-se uma parada obrigatória. A cada ano, há mais pessoas interessadas em voltar”, afirma. Em 2026, seu grupo reúne cerca de 40 pessoas, simbolizando a formação de uma comunidade por meio da dança. “Não é apenas o festival; são as conexões, amizades e memórias que criamos”, acrescenta.
O sentimento é compartilhado por visitantes do sul de Minas Gerais. “O festival se tornou um ritual. É cultura, celebração e um momento que carregamos para a vida toda”, relata uma das participantes.
Programação multicultural
A grade musical conta com 13 bandas e trios, além de quatro DJs que se apresentam com discos de vinil, mantendo o foco no forró tradicional. Entre os nomes confirmados estão Diana do Sertão, Nando do Acordeon, Neide Nazaré, Trio Sabiá, Peixelétrico e Forró di Casa.
Contudo, a experiência vai além dos palcos. A programação inclui:
- Oficinas de dança, pífano e cordel;
- Cortejos culturais e apresentações de capoeira;
- Atividades infantis e rodas de conversa sobre sustentabilidade;
- Gastronomia caiçara e uma feira de economia criativa.

Historicamente, o Forró na Ilha transcende a convenção musical para se tornar um fenômeno social. Um exemplo marcante é a feira de afroempreendedorismo liderada por Rosângela de Souza. O espaço reúne mulheres negras e grupos historicamente marginalizados, oferecendo visibilidade e oportunidades de mercado.
A iniciativa permite que os participantes invistam em seus próprios negócios, gerando renda e autonomia. Essa proposta ecoa um movimento maior: a cultura como ferramenta de transformação social.
Ilhabela no circuito nacional
Idealizado por Rodrigo Ribeiro Rehder com o objetivo de posicionar Ilhabela no circuito nacional do forró, o festival hoje recebe turistas de vários estados e até do exterior. “As pessoas chegam com histórias e experiências que vão muito além da música”, resume Rehder.
É na interseção entre o turístico e o cultural que o Forró na Ilha se fortalece. Com a natureza exuberante como pano de fundo, Ilhabela reafirma-se como um lugar onde o forró não apenas subsiste, mas une pessoas e abre caminhos, fazendo cada viagem valer a pena.álida.
