O que é doula da morte? Conheça a profissão que encantou Nicole Kidman e ganha espaço no Brasil

Inspirada pela despedida da mãe, atriz busca formação para acolher pacientes terminais e combater a solidão no fim da vida

A atriz Nicole Kidman quer abandonar os holofotes para viver como doula da morte/Reprodução

A atriz australiana Nicole Kidman (“Holland”) surpreendeu os fãs com a revelação de que gostaria de tornar-se uma “doula da morte”, profissional que oferece apoio emocional, físico e até psicológico para pessoas em estágio terminal. Ela diz que tomou a decisão após a morte de sua mãe, Janelle Ann, em 2024.

“Quando minha mãe estava morrendo, ela se sentia sozinha, e havia um limite para o que a família podia oferecer”, desabafou Nicole durante uma palestra concedida na Universidade de San Francisco.

A estrela também contou que sentiu falta de uma pessoa preparada para oferecer consolo à sua mãe em meio ao leito de morte. “As pessoas dão muita ênfase ao nascimento, mas não tanto à morte”, lamentou ela.

“Como parte do meu crescimento, quero aprender esse papel. A solidão é um grande problema do mundo atual, principalmente para as pessoas nessa fase da vida. Quero estar presente. Quero poder oferecer apoio”completou.

Afinal, o que são as doulas da morte?

Ao contrário do que parece, as doulas da morte não tem permissão para substituir profissionais de saúde ou realizar procedimentos clínicos em pacientes. Basicamente, a atuação se concentra no suporte emocional nos momentos de vulnerabilidade.

No Brasil, o serviço autônomo de acolhimento não é uma profissão regulamentada e está disponível para pessoas de diferentes formações, que passam por capacitações específicas sobre luto, morte e finitude, temáticas opostas das típicas doulas de parto.

Paga bem?

O salário de uma doula da morte é variável e depende do tempo de experiência e da rede de contatos, visto que se trata de um serviço autônomo. Entretanto, o valor médio anual é de cerca de US$ 45 mil nos Estados Unidos. Ainda não está claro quanto as cuidadoras recebem no Brasil.

Entenda mais sobre a “nova profissional” no vídeo publicado pelo Podcast Na Real.

Luto como fator motivacional

A cuidadora autônoma Ken Breniman, que atua como doula da morte em Oakland, na Califórnia, contou ao New York Time que muitas doulas da morte decidem seguir carreira após vivenciar um luto familiar, como ocorreu com ela e com a atriz Nicole Kidman.

Ken também esclareceu que o papel das doulas depende das necessidades dos clientes, que nem sempre exigem apenas companhia no leito de morte. Segundo ela, o trabalho pode ser burocrático, como ajudar no preparo de testamentos, velório, herança e outras documentações.

Além disso, as doulas da morte podem ajudar aos pacientes a expressarem seus desejos no fim da vida e a terem conversas importantes com seus familiares antes do momento fatal.