Tecnologia guiada por ímãs custará R$ 2 bilhões a menos que o projeto original; sistema já é testado no Paraná. / Reprodução/Felipe Henschel/AEN
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O centro da capital paulista vai receber um novo modal de transporte. Em vez do tradicional VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), a cidade terá um VLE (Veículo Leve sobre Rodas), uma tecnologia que dispensa os trilhos e se move sobre o asfalto com o auxílio de ímãs. O sistema pode operar tanto com motorista quanto de forma autônoma.
A mudança foi anunciada nesta segunda-feira (13) pelo prefeito Ricardo Nunes, que já encaminhou ao Tribunal de Contas do Município o processo inicial para implantação do chamado "bonde digital".
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Segundo o prefeito, a decisão foi motivada por dois fatores principais: o custo elevado e as limitações técnicas da versão sobre trilhos.
"O estudo original previa R$ 4,1 bilhões. Com as readequações, o valor caiu para R$ 2,1 bilhões. O sistema sobre trilhos exige inclinação máxima de 9 graus nas vias. Nossas curvas teriam 7 graus, o que tornaria o projeto arriscado", explicou Nunes.
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O VLE combina o melhor do VLT e do BRT. Os veículos são elétricos, medem cerca de 30 metros de comprimento, comportam aproximadamente 300 passageiros e podem chegar a 70 km/h.
O mesmo sistema já está em fase de teste na Região Metropolitana de Curitiba desde dezembro de 2025, onde é conhecido como BUD (Bonnie Urbano Digital).
O trajeto experimental liga o Terminal São Roque, em Piraquara, ao Terminal Metropolitano de Pinhais, num percurso de cerca de dez quilômetros. Por lá, não há estações nem faixas exclusivas: o veículo circula como um ônibus com formato de VLT e tem prioridade para trocar de faixa.
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Gilson Santos, diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná, explicou as vantagens do sistema.
"Ele tem maior capacidade de carga e atende melhor os grandes eixos de ligação entre a região metropolitana e a capital. Diferente do BRT elétrico, não usa bateria, mas sim um supercapacitor. E, por não depender de trilhos, pode ser implantado em vias compartilhadas com outros veículos", disse.
Atualmente, o BUD opera em três horários pela manhã e três à tarde. Santos afirmou que o sistema ainda precisa demonstrar sua eficiência em horários de pico.
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"Colocamos ele primeiro em horários de menor movimento. Agora, a ideia é testá-lo também no horário de pico para avaliar seu desempenho", completou.
De acordo com a SP Urbanismo, o traçado previsto originalmente para o VLT será mantido com o novo sistema. Serão duas linhas que somam cerca de 12 quilômetros, ligando bairros como Bom Retiro e Brás a pontos estratégicos do centro, incluindo o Mercado Municipal, a Rua 25 de Março, o Vale do Anhangabaú e a Praça da Sé.
O modal será integrado a terminais de ônibus, estações de metrô e da CPTM, além do BRT da Radial Leste e da futura Linha Celeste.
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O projeto será tocado por meio de uma parceria público-privada (PPP). A licitação estava prevista para o início de 2026, mas, com as alterações no modelo, o cronograma deverá ser ajustado. A expectativa da prefeitura é que o certame ocorra ainda neste ano.