Muda comando na Saúde em São Vicente pela quinta vez

O ex-secretário e a Prefeitura apresentaram razões diferentes para a mudança no comando da pasta. Mônica Palma assume pasta após saída de Antonio Rua

Comentar
Compartilhar
02 ABR 201513h05

O prefeito de São Vicente, Luis Cláudio Bili (PP), colocou questões político-partidárias à frente de uma sequência de projetos da Saúde no Município. Essa é a avaliação feita pelo médico Antonio Rua Vieira que respondia, até ontem, pela secretaria municipal. Com sua saída, a médica Mônica Batalha Prado Palma passa a ser a sexta secretária de Saúde de São Vicente no Governo Bili.

O ex-secretário e a Prefeitura apresentaram razões diferentes para a mudança no comando da pasta. “Após uma reunião amistosa com o prefeito, ele solicitou o meu cargo para um rearranjo político-partidário”, afirmou o ex-secretário. Já a Administração Municipal respondeu, em nota, que “a saída do secretário da Saúde Antonio Vieira Rua (erraram a sequência do sobrenome, no comunicado) foi por motivos pessoais devido a outras atividades médicas”.

Ao deixar o cargo, Antonio Rua apresentou uma “carta aberta à população” elencando os avanços implantados na pasta. Embora o tom cordial adotado no discurso de saída, o médico intensivista pediatra fez a seguinte avaliação, ao ser questionado pela Reportagem: “Faltando pouco mais de um  ano para a eleição municipal, o prefeito decidiu fazer essa mudança. Sei que a pressão em uma secretaria sensível como a de Saúde, que mexe com vidas, deve ser grande, mas mudanças constantes em um setor não resultam em êxitos”.

Embora se classifique um “técnico” e um “marinheiro de primeira viagem em cargo público”, Antonio Rua reconhece que ele mesmo assumiu o cargo por indicação política — foi escolha do PT, partido da base aliada do prefeito Bili na Câmara.

Recordista em permanência na pasta no Governo Bili — 14 meses —, o ex-secretário afirmou ter encontrado “toda a estrutura da Saúde em estado lastimável, tanto do ponto de vista das estruturas físicas, como dos processos de trabalho, com indicadores de Saúde como a mortalidade infantil em taxas vergonhosas de terceiro mundo”.

 Antonio Rua foi secretário por 14 meses. Mônica Palma é concursada da Prefeitura (Fotos: Matheus Tagé/DL e Divulgação/PMC)

Outra falha encontrada por ele estava na rede básica que não privilegiava o setor da Saúde da Família com apenas 9% da população coberta. Além disso, Rua afirma que as 19 unidades básicas de saúde (UBSs) estavam “em estado deplorável de conservação”.

‘Feudo’ no Crei

A administração do Hospital Municipal (antigo Crei) também se revelou um obstáculo. “Extremamente mal gerido”, na avaliação do ex-secretário, o hospital funcionava como um “feudo”. “Seus diretores, à época, se amotinavam contra o secretário, logo na minha primeira semana à frente do cargo, enfim, uma situação caótica na Saúde pública da Cidade. Antes o secretário não mandava”.

Apesar do quadro de problemas crônicos, o médico afirma ter implantado ações “transformadoras” no setor. A que ele mais se orgulha foi na redução da mortalidade infantil. A cada grupo de mil nascidos vivos, 18 morriam. O número reduziu para 13. “Essa redução significa que cerca de 20 crianças que estavam marcadas para morrer, não morreram”.

A ampliação da cobertura de agentes comunitários e do programa Saúde da Família de 9% para 46% da população SUS dependente em um ano também foi destacada por ele, bem como a reforma em 11 das 19 UBSs. “Conseguimos recursos para construir mais cinco UBSs, uma já entregue e as outras quatro já licitadas em execução”.

Outro avanço, segundo Antonio Rua, foi a implantação de três Unidades de Pronto Atendimento (UPA) funcionando 24 horas. A UPA da Cidade Náutica, informa o ex-secretário, deve ser inaugurada em poucas semanas.

A nova secretária

Funcionária concursada desde 2006, Mônica Palma foi diretora da Atenção Especializada do Município entre fevereiro de 2013 até a última terça-feira. Ela é especialista em cirurgia vascular, aprovada em concurso realizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular em 2009.

A secretária integra o corpo clínico da Santa Casa de  Santos e da Casa de Saúde de Santos e é membro da Associação Paulista de Medicina, Colégio Brasileiro de Cirurgia, e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.