Moradores do Macuco querem garantias da Dersa

Impasse entre Estado, Prefeitura e moradores continua mesmo após mudança do traçado

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04 FEV 201410h36

“Eu passei 20 anos da minha vida trabalhando e juntando dinheiro para construir a minha casa do jeito que queria. Perdi minha saúde e, agora, o Estado quer tirar a minha casa”. Este é o lamento do autônomo Eulálio Paredes. A rua onde ele mora há 15 anos, Rua José do Patrocínio, no Macuco (há 35 ele mora no mesmo bairro), em Santos, é uma das rotas do Túnel Submerso, que irá ligar as cidades de Santos e Guarujá.

A mudança no trajeto, apresentada pela Dersa em novembro do ano passado, está tirando o sossego nos moradores da rua e das vias vizinhas, como as João Alfredo, Santos Dumont e Padre Anchieta. “Eu não consigo mais dormir. Não estou conseguindo trabalhar direito e não tenho mais saúde. Eu só quero paz, por que eles têm que mexer com o que está quieto”, questiona a aposentada Walkíria Souza da Costa Paulo, que há 62 anos mora no Macuco e há 41 reside na Rua Padre Anchieta. Paredes e sua esposa também estão com a saúde abalada. “Estamos com problemas sérios de saúde e todo esse nervoso nos faz piorar”, afirma.

A reportagem do Diário do Litoral esteve no bairro para conversar com a comissão de moradores que busca mais informações sobre o projeto e quer que o traçado seja alterado mais uma vez. “Não somos contra o túnel nem ao progresso, mas queremos ter a garantia de que o Estado irá pagar o preço justo por nossas moradias”, explica a professora aposentada Maria Angélica Fernandes, de 54 anos, que nasceu no bairro e há 16 anos possui uma casa na Rua José do Patrocínio.

O que mais preocupa os moradores do Macuco é a falta de informação por parte da Dersa e até mesmo da Prefeitura. Na última semana, os moradores se reuniram com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa para tratar do assunto e receberam do chefe do Executivo a garantia de que uma reunião entre os moradores e a responsável pela obra seria marcada. “O que nós sentimos é que o próprio prefeito não tem muitas informações sobre o projeto. A maior parte da população também não procura saber, mas o projeto não afetará somente o Macuco e sim a cidade inteira”, explica Angélica.

Moradores pedem mais informações e acreditam que o prefeito de Santos também não sabe o que irá acontecer no bairro (Foto: Matheus Tagé/DL)

A autônoma Alcione Alves Rocha, que recebeu a equipe de reportagem em sua casa, onde mora há 25 anos, ainda aguarda uma resposta sobre a reunião entre a Dersa e os moradores. “Até agora não fomos informados de nada. Precisamos de mais detalhes sobre o projeto e sobre quantos moradores serão afetados. Não há um número preciso porque eles contam por terreno, mas em cada um há de duas a seis famílias residentes. Ou seja, eles vão afetar muito mais gente do que imaginam”, conta.

Eles só querem esclarecimentos. “Para onde nós iremos quando as obras começarem. Será um conjunto habitacional? Será pago em dinheiro? Como isso será feito?”, questiona a faxineira Edna de Pontes, que há 29 anos mora na Rua Operária.

Dersa

A reportagem do DL questionou a Dersa sobre a mudança no trajeto e as demais dúvidas dos moradores do Macuco. Segundo a empresa, a alteração de traçado dos acessos ao túnel no lado santista foi feita a partir de estudo realizado com base em sugestões apresentadas no início do processo de licenciamento ambiental, em setembro do ano passado, em especial aquelas encaminhadas pela Prefeitura de Santos. Explica ainda que, além disso, foram realizadas duas audiências públicas, agendadas pelo Consema, em Santos (no dia 12 de novembro de 2013) e em Guarujá (no dia 13 de novembro). Uma nova audiência será realizada no próximo dia 18, em Santos. A empresa afirmou ainda que disponibiliza duas centrais de relacionamento fixas e outras itinerantes para que a população possa obter informações.

Explica ainda que, além disso, foram realizadas duas audiências públicas, agendadas pelo Consema, em Santos (no dia 12 de novembro de 2013) e em Guarujá (no dia 13 de novembro), “que contaram com a presença dos moradores para debater o projeto, questionar seus impactos socioambientais e tirar dúvidas sobre a implantação do túnel”. Uma nova audiência será realizada no próximo dia 18, em Santos.

A empresa afirmou ainda que disponibiliza duas centrais de relacionamento fixas e outras itinerantes para que a população possa obter informações, esclarecer dúvidas, consultar ao EIA/Rima e o traçado do empreendimento. Em Santos, os centros de atendimento estão disponíveis nos seguintes endereços e horários: o fixo fica no Centro de Convivência Praça Viriato Corrêa da Costa, na Av. Bartolomeu de Gusmão com a Conselheiro Nébias, no Boqueirão, e atender de terça a sábado, das 9 às 13 horas e das 14 às 18 horas. Já os dois centros itinerantes ficam: Bacia do Macuco, na Praça Rubens Ferreira Martins, próximo da Igreja São Jorge, atendendo às quartas-feiras, das 10 às 13 horas e das 14 às 17 horas; e o outro dica na Rua Barão de Ramalho com a Avenida Afonso Pena e atende às sextas-feiras, das 10 às 13 horas e das 14 às 17 horas, também no Macuco.