Moradores de São Vicente têm proposta para Bolsão do Itararé

A ideia central do projeto é promover uma ampla mudança urbanística e social no local, que poderá ser ampliada para toda a orla da cidade

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03 DEZ 201321h22

Som alto até as primeiras horas da manhã, uso de entorpecentes e cenas de sexo explícito, no Bolsão do Itararé, entre a Avenida Presidente Wilson e a Ilha Porchat, chegou ao limite da tolerância. A revelação é da direção da Associação dos Moradores do Itararé e Boa Vista que nesta quarta-feira (3), às 17h30, se reúne com o prefeito de São Vicente Luiz Cláudio Bili (PP), em seu gabinete, para apresentar uma proposta de mudança na região. Membros das associação alegam que falta de fiscalização para conter os abusos.

A ideia central do projeto é promover uma ampla mudança urbanística e social no Bolsão, que poderá ser ampliada para toda a orla de São Vicente. O arquiteto urbanista Edison Eloy de Souza, acompanhado de representantes da Associação e do vereador Alfredo Martins (PT), antecipou a proposta ao DL.

Os moradores de São Vicente têm proposta para Bolsão do Itararé (Foto: Luiz Torres/DL)

“A proposta não visa eliminar o bolsão, mas descentralizar o estacionamento, que está confinado no entorno dos cerca de 10 quiosques, promovendo um verdadeiro paredão, que impede a visibilidade da praia prevista por lei e onde tudo ocorre em seu interior”, afirma Souza, alertando que os banheiros químicos do local são totalmente impróprios.

Segundo o urbanista, será sugerida a construção de dois pergolados (espécie de coberturas abertas dos lados) circulares e de 30 metros de diâmetro, na direção das ruas Onze de Junho e Saldanha da Gama, com bancos, jardineiras, banheiros e quiosques. “No centro, ainda poderia se construir um pequeno espaço para apresentações musicais”, afirma.

Os pergolados seriam ligados por uma grande esplanada (amplo espaço aberto), com espelho d’água e mais dois elementos. O primeiro utilizaria a Praça dos Estados, em que se construiria um pequeno palco para apresentações artísticas e cívicas.

Já o segundo seria na área que fica em frente à Avenida Presidente Wilson, onde seria construído um espaço em dois níveis, com 30 metros de comprimento por 10 de largura, sendo a parte subterrânea destinada ao apoio à praia, com posto de salvamento, médico, policial, banheiros e outros.

A parte de cima, seria destinada ao comércio. “Os comerciantes seriam transferidos para essa área. Eles receberiam equipamentos mais estruturados e tudo ocuparia uma área de apenas 300 metros — metade do espaço hoje ocupado no Bolsão”, revela o arquiteto, acreditando que o modelo poderia ser estendido à toda orla do Itararé, com 92 quiosques.

Situação insustentável

O presidente da Associação, arquiteto Antônio Carlos Almeida, revela que a situação do Bolsão já ultrapassou a esfera policial e beira o caos social. O auge ocorreu na madrugada do último dia 15, mas os problemas se entendem por anos.

“São cerca de 200 carros com porta-malas aberto tocando funk e outros gêneros musicais durante toda a madrugada, acabando com o sossego dos moradores. Os permissionários também promovem show ao vivo sem autorização e vão adicionando equipamentos no quiosque. Tudo contrariando as leis vigentes, inclusive ambientais”, diz.

Almeida ressalta que a associação não pretende impedir o acesso de pessoas à praia e que os ambulantes trabalhem. “Nossa intenção é apenas regrar o espaço, para que todos — veranistas, turistas, quiosqueiros e moradores — possam conviver bem. Esse projeto pode mudar a situação sem causar traumas”, finaliza.