Moradores buscam recomeço na Água Fria

Situação no bairro é preocupante. Reportagem do Diário do Litoral esteve no local e encontrou pilhas de entulho e muita lama

Comentar
Compartilhar
26 FEV 201311h20

A forte chuva que castigou a Baixada Santista, principalmente a cidade de Cubatão ainda deixa marcas naquele município. Na tarde desta segunda-feira (26), a Reportagem do Diário do Litoral percorreu as ruas da Água Fria, um dos bairros mais afetados com a chuva. No local, moradores se unem com a esperança de dias melhores, após perderem suas casas, móveis, eletrodomésticos, entre outros. Na principal via do bairro, a Rua Elias Zarzur, pilhas de entulho contendo pedaços de armário, colchões, roupas, além de muita lama compõem o cenário em que os moradores passaram a conviver devido à forte chuva. Segundo nota divulgada pela Prefeitura de Cubatão, a Água Fria receberá atendimento prioritário. No total, 473 pessoas de diversos bairros de Cubatão estão desabrigados, número divulgado pela Prefeitura. Eles estão alojados em diversas escolas da Cidade.

Para a moradora da Água Fria, a dona de casa Marina de Castro, de 37 anos, a tragédia poderia ser pior. “Vi a morte. Achei que minha hora era aquela. Quando começou a chuva saí de casa correndo e fui levada pela água. Minha irmã que estava em um pé de goiabeira me puxou e me tirou da água”, conta ela.

Ainda de acordo com Marina, ela e sua irmã permaneceram quatro horas em cima da árvore. “A gente ficou desesperada, via nossos móveis passando pela gente e não podíamos fazer nada. Perdemos tudo, documentos, roupas”, relata Marina. Ontem, ela e a irmã tentavam retirar a lama que invadiu a casa delas. “Vamos esperar alguma posição da Prefeitura. Por enquanto, estamos tentando salvar algumas coisas”.

Água Fria - Bairro foi um dos mais atingidos na última sexta-feira (22) (Foto: Luiz Torres/ DL)

Já para o desempregado Lucas Silva de Oliveira, de 34, a forte chuva que atingiu o bairro pode ser lembrada por um fato que marcará sua vida. “Quando começou a chover saí de casa e fiquei esperando na rua. Logo depois, vi uma vizinha com dois bebês pedindo socorro. Juntei outros moradores e com uma corda conseguimos salvar elas”, conta.

Morando no bairro Pilões, Oliveira perdeu tudo que tinha em sua residência. “Estou na casa de um amigo aqui na Água Fria. Agora o que me resta é trabalhar e conquistar de novo tudo aquilo perdi”, pontua.

Na tarde de segunda, a prefeita Márcia Rosa (PT) anunciou a instalação de um gabinete de crise reunindo todos os órgãos municipais, com objetivo de definir os próximos passos a serem realizados na Cidade. A primeira reunião do grupo ocorreu ontem. “Nosso trabalho é fazer de tudo para que os afetados pela tragédia voltem às suas vidas normais o mais rápido possível”, afirma Márcia Rosa por meio de nota divulgada para a imprensa.

Ainda segundo a nota, a Prefeitura trabalha para remover todo entulho, sujeira e lama acumuladas na rua até quinta-feira (28).

Reintegração de moradias

Na tarde desta segunda-feira, a Prefeitura de Cubatão deu entrada no Fórum da cidade, solicitando uma ação de reintegração de posse dos 173 apartamentos dos conjuntos habitacionais Imigrantes I e II, no Bolsão. Os apartamentos foram invadidos após o temporal de sexta-feira assolar a cidade.

De acordo com a Prefeitura, das 173 moradias invadidas, 44 iriam ser ocupadas nesta semana por famílias que residiam na Vila Esperança.