Militantes do Estado Islâmico sequestram dezenas de cristãos na Síria

Os combatentes do Estado Islâmico saquearam igrejas, demoliram tempos xiitas e sunitas e escravizaram mulheres da comunidade yazidi, uma pequena seita que os militantes consideram herética

Comentar
Compartilhar
24 FEV 201514h23

Militantes do grupo Estado Islâmico sequestraram pelo menos 70 cristãos, dentre eles mulheres e crianças, após invadirem uma série de vilas no nordeste da Síria, informaram parentes das vítimas e ativistas.

Os integrantes do grupo extremista sunita, que seguem uma interpretação radical do Islã, costumam atacar minorias religiosas e étnicas na Síria e no Iraque, desta que passaram a controlar grandes partes dos territórios dos dois países. Os combatentes do Estado Islâmico saquearam igrejas, demoliram tempos xiitas e sunitas e escravizaram mulheres da comunidade yazidi, uma pequena seita que os militantes consideram herética.

O mais recente ataque teve início na madrugada de segunda-feira, quando os militantes invadiram vilas localizadas ao longo das margens do rio Khabur, perto da cidade de Tal Tamr, na província de Hassakeh. A área é predominantemente habitada por assírios, um grupo cristão cujas raízes chegam aos antigos mesopotâmicos.

Durante os ataques, os militantes levaram entre 70 e 100 assírios, disse Nuri Kino, diretor do grupo ativista A Demand For Action, que tentar garantir a segurança de minorias religiosas do Oriente Médio. Ele disse que cerca de 3 mil pessoas conseguiram escapar da morte e buscaram refúgio nas cidades de Hassakeh e Qamishli.

Kino disse que sua organização tem como base informações obtidas em conversas com moradores das vilas, que fugiram do ataque, e seus parentes.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, sediado em Londres, também relatou os sequestros, mas disse que os militantes levaram 90 pessoas. O Observatório coleta suas informações com ativistas que ainda estão em território sírio.

Os dois grupos ativistas disseram que a maioria dos reféns é da vila de Tal Shamiram, localizada 85 quilômetros a sudoeste da capital da província, Qamishli.

A rádio online do Estado Islâmico, a al-Bayan, informou que combatentes do grupo detiveram "dezenas de cruzados" e tomaram dez vilas nas proximidades de Tal Tamr após confrontos com milicianos curdos. O Estado Islâmico costuma se referir aos cristãos como "cruzados".

Não estava claro o que o Estado Islâmico pretende fazer com os assírios. Os militantes têm histórico de matar seus reféns, dentre eles jornalistas estrangeiros, soldados sírios e milicianos curdos. Recentemente, militantes de um grupo afiliado ao Estado Islâmico na Líbia divulgaram uma vídeo mostrando a decapitação de 21 cristãos coptas egípcios.

Mas o grupo pode também usar os reféns assírios para tentar conseguir uma troca de prisioneiros com milícias curdas e cristãs que combatem no nordeste da Síria. Já existe um precedente: os extremistas libertaram crianças curdas, além de motoristas de caminhão turcos e diplomatas depois de mantê-los por meses.