Mais de uma década após ser condenado pela morte de Michael Jackson, o cardiologista Conrad Murray voltou a atuar na área da saúde e inaugurou uma clínica em Trinidad e Tobago, país onde nasceu. O médico ficou conhecido por seu envolvimento no caso que resultou na morte do astro do pop em junho de 2009.
Murray foi considerado culpado por homicídio culposo em 2011, após a Justiça concluir que ele teve responsabilidade na administração de medicamentos que levaram à parada cardíaca de Michael Jackson. Condenado a quatro anos de prisão, ele cumpriu cerca de dois anos da pena antes de ser libertado.
Mesmo após a condenação, o médico sempre sustentou sua inocência. Ao longo dos anos, tentou recuperar o direito de exercer a profissão e chegou a afirmar que foi responsabilizado injustamente pelo caso.
Relação com Michael Jackson
Michael Jackson conheceu Conrad Murray em 2006, quando o cardiologista foi indicado para atender sua filha Paris Jackson, em Las Vegas. A relação profissional se intensificou nos anos seguintes, até que o médico foi contratado para acompanhar o artista durante os preparativos da turnê “This Is It”.
Na época, Murray recebia cerca de US$ 150 mil por mês para atuar como médico pessoal do cantor. Em 25 de junho de 2009, porém, Jackson morreu aos 50 anos após sofrer uma parada cardíaca causada por intoxicação aguda por propofol, um anestésico de uso hospitalar.
A investigação concluiu que o medicamento havia sido administrado por Murray, que alegou ter atendido a pedidos do cantor para tratar problemas de insônia. A acusação sustentou que o médico agiu com negligência ao utilizar a substância sem o monitoramento adequado e ao demorar a acionar os serviços de emergência.
Retorno à medicina após anos de disputas judiciais
Após deixar a prisão, Murray enfrentou dificuldades para retomar a carreira. Suas licenças médicas nos Estados Unidos foram suspensas ou revogadas, impedindo que voltasse a atuar legalmente no país.
Apesar das restrições, ele continuou tentando retornar à profissão. Em entrevistas, afirmou ter realizado atendimentos gratuitos e buscou recuperar autorizações para exercer a medicina em diferentes localidades.
Em 2023, o cardiologista inaugurou o Instituto Médico DCM, na região de San Juan, em Trinidad e Tobago. Segundo declarou ao jornal Trinidad and Tobago Guardian, a decisão de abrir a clínica surgiu após anos de tentativas frustradas de reintegração ao setor médico.
“Tudo o que eu estava disposto a fazer era colaborar, educar ainda mais e incutir cuidado em cada vez mais pessoas”, afirmou Murray. “Então, eles decidiram trancar as portas quando viram os casos que eu estava realizando. Foi difícil. Lidei com o país fechando suas fronteiras por dois anos, mas não desisti. Senti que precisava ser implacável.”
Licenças nos EUA continuam suspensas
Atualmente, Conrad Murray vive em Trinidad e Tobago e mantém atividades ligadas ao instituto que fundou no país. Antes da abertura da clínica, ele chegou a realizar atendimentos em uma instituição para idosos na região de Chaguanas.
Embora tenha retomado parte da atuação profissional em seu país natal, as licenças médicas que possuía nos Estados Unidos seguem suspensas, mais de 15 anos após a morte de Michael Jackson.







