Indústria não se recupera em 2015, diz Ciesp

O setor demitiu mais de 130 mil trabalhadores no Estado em 2014, incluindo o polo de Cubatão

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23 FEV 201511h45

A indústria paulista fechou o ano de 2014 com 130 mil demissões, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Pela primeira vez, todos os 22 setores industriais sondados registraram saldo de demissões no Estado, diz a entidade. A indústria de produtos alimentícios foi que a mais demitiu em novembro, 17.579 funcionários.

Esta crise, que afeta todos os setores do País, também atingiu o Polo Industrial de Cubatão. “Para esse cenário, tem forte influência a carga tributária, os encargos, a relação desempenho da mão-de-obra x custos (incluindo benefícios), as dificuldades logísticas, os juros altos, os custos de energia e insumos elevados, a entrada de produtos importados sem barreiras logísticas e, em alguns casos, com preços subsidiados na origem”, explica a diretoria do Ciesp Cubatão.

E o que se perdeu em 2014, as demissões e todos os índices em baixa apresentados pela indústria paulista estão longe de serem recuperadas. “O cenário de 2014 não é reversível. Para 2015, somente se as ações econômicas aumentarem a credibilidade da iniciativa privada para atender o crescimento da demanda. É importante ter foco na busca de oportunidades de redução de custo e melhoria na eficiência logística e de contratações”, explica a diretoria do Ciesp.

E a previsão é de que a crise industrial continue em 2015. A expectativa para este ano é apenas se manter no mercado. “Sobreviver a 2015 aguardando que medidas eficazes sejam implementadas pelo governo mesmo que não surtam efeitos durante o ano, talvez somente em 2016 ou 2017. As empresas terão de buscar redução de custos para se manter competitivas e conseguir continuar no mercado cada vez mais inundados por produtos importados. Também será importante manter preparados os investimentos para crescimento caso hajam sinalizações positivas de mudanças de cenário”.

Segundo a Fiesp, pela primeira vez, todos os 22 setores sondados registraram saldo de demissões no Estado (Foto: Divulgação)

Cubatão

Preocupada com este cenário, a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, foi à Brasília no mês passado para defender políticas de proteção à indústria brasileira. “A recuperação da indústria de base é fundamental para o crescimento do país. Temos de encontrar medidas que protejam as nossas empresas, os trabalhadores e seus empregos”, alertou a prefeita sobre a crise na produção industrial brasileira que vem afetando o Polo Industrial cubatense, durante audiência no Palácio do Planalto, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Ela foi recebida pelo chefe de gabinete do ministro Pepe Vargas, Orlando Desconsi, e pelo subchefe de assuntos federativos, Gilmar Dominici. Marcia Rosa lembrou que a crise no polo de Cubatão também tem afetado as receitas do Município.

“Por mais que estejamos buscando outras fontes de arrecadação, ainda somos extremamente dependentes do ICMS originado na produção industrial. Isso acontece em outras cidades brasileiras de perfil industrial”. Durante o encontro, que fez parte de agenda oficial que cumpriu em Brasília, Marcia também defendeu o apoio das estatais na valorização da mão de obra local: “No nosso caso, queremos que a Petrobras amplie a contratação de trabalhadores de nossa Cidade. É assim que o Município e a região crescem: gerando emprego e renda dentro de sua comunidade”, acredita a prefeita.

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