Indústria de São Paulo demite 9,5 mil em fevereiro

Pesquisa da Fiesp e do Ciesp apurou 22 setores e 36 regiões. Ciesp Cubatão apontou a criação de 50 vagas; já o Ciesp Santos registrou queda de 50 postos de trabalho em fevereiro

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13 MAR 201510h49

A indústria de São Paulo demitiu 9,5 mil em fevereiro, o equivalente a uma queda de 0,74% ante janeiro na leitura com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa de Nível de Emprego da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), divulgada ontem.

Em janeiro, o setor manufatureiro paulista havia contratado 2,5 mil novos funcionários, mas as demissões de fevereiro elevaram o saldo negativo do emprego industrial para sete mil postos de trabalho fechados no acumulado do ano de 2015.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, o começo deste ano é o pior da série história da pesquisa das entidades, com exceção de 2009, ano da crise.

“Em 2010 recuperamos os empregos perdidos em 2009. Superamos, de certa maneira, num período relativamente curto. Em 2015 não vamos recuperar os empregos perdidos em 2014”, afirma Francini.  “A perspectiva para 2015 é de perda”.

Sete mil postos de trabalho fechados no acumulado do ano (Foto: Divulgação)

Na comparação em 12 meses, ou seja, fevereiro de 2015 ante o mesmo mês em 2014, a indústria fechou 150,5 mil postos de trabalho.

Do saldo do mês passado, o setor de açúcar e álcool foi responsável pela contratação de 520 funcionários, já a indústria de transformação demitiu 10.020 no mesmo período.

Setores e Regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa, 15 demitiram, quatro contrataram e três mantiveram o quadro de funcionários estável. A indústria que mais demitiu no mês foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 1.912 postos de trabalho a menos.

Os fabricantes de máquinas e equipamentos também foram uma forte influência negativa para o indicador com 1.481 demissões em fevereiro.

A indústria que mais demitiu em 2015 foi a de coque, petróleo e biocombustíveis, com taxa negativa de 1,8%.

A pesquisa apura a situação do emprego em 36 regiões paulistas, das quais 22 anotaram baixa no mercado de trabalho industrial, 11 contrataram e três mantiveram-se estáveis.

Desemprego sobe e preocupa Força Sindical

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, enviou nota à imprensa comentando a taxa de desemprego no País divulgada ontem pelo IBGE.

“É com preocupação que recebemos os dados divulgados pelo IBGE, que revelam que a taxa de desemprego subiu para 6,8% no trimestre iniciado em novembro e encerrado em janeiro. Alertamos que o crescimento pífio da economia a coloca num patamar extremamente perigoso diante das incertezas econômicas mundiais. Vale lembrar que o desemprego é multiplicador de injustiça social, da desagregação familiar, da violência e da fome no País”.

O líder sindical diz ainda que: “É importante destacar que o nível de desemprego entre 5% e 7% não pode ser considerado pleno emprego, pois o contingente de 6,8 milhões de desocupados que a pesquisa mostra é muito alto. Lembramos que indústria, comércio e construção civil estão reduzindo o número de vagas.