Incêndio na Alemoa: Bombeiros conseguem isolar tanques em chamas

Material explosivo dos tanques do entorno foi retirado e substituído por água, provocando uma barreira de isolamento

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05 ABR 201516h16

Depois de mais de 75 horas de combate ao incêndio, equipes do Corpo de Bombeiros – 100 homens e 40 viaturas – conseguiram isolar os três tanques de combustíveis da Ultracargo que continuam queimando na Alemoa Industrial, em Santos. “O fogo está contido. Na hora que conseguirmos extinguir o álcool anidro do primeiro tanque (que está quase vazio) e acentuarmos o combate ao fogo dos dois restantes que têm gasolina e ainda estão cheios, vamos enfim conseguir controlar o incêndio”, disse ontem, ao meio dia, o comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, Marco Aurélio Alves Pinto, responsável pelas operações.

Segundo informou, os bombeiros e as equipes técnicas conseguiram inertizar (retirar o oxigênio dos tanques isolando o material combustível com risco de explosão) dos reservatórios do entorno dos sinistrados, remanejar os produtos químicos para outros tanques, localizados cerca de um quilômetro de distância da área do incêndio, e encher o tanques vazios com água, criando uma barreira de isolamento. “Em função da caloria (800 graus) não conseguíamos acesso a locais próximos aos tanques. Conseguimos resfriar o entorno e reativar o sistema para retirar os produtos”, conta o comandante, que não deu prazo para acabar com o incêndio e nem revelou a causa do acidente, que deverá ser descoberta por intermédio de laudos periciais.     

Ainda conforme o comandante Alves Pinto, a partir de ontem foi iniciada uma nova estratégia de combate utilizando uma espuma especial importada nos dois tanques de gasolina, cada um com capacidade de cinco milhões de litros. “O fogo está ainda no topo deles e estamos conseguindo segurar. Vamos receber mais três rebocadores e mais outros veículos de combate a incêndio. Estamos tendo reforços das empresas privadas, dentro do plano de auxílio mútuo, que possuem redes integradas de emergência”, disse.

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Bombeiros conseguem isolar tanques em chamas (Foto: Luiz Torres/DL)

O comandante do Corpo de Bombeiros garantiu não ser necessária retirada dos moradores próximos à área do acidente. “Temos condições técnicas para afirmar que o ambiente está seguro e com o fogo contido, podendo ser controlado nas próximas horas”, disse Alves Pinto, enfatizando que o acidente vai servir para um reestudo das normas de segurança da região. “Infelizmente, crescemos quando nos deparamos com esse tipo de evento”.

Defesa Civil tem estratégia para cinco mil pessoas

O secretário chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo, coronel PM José Roberto Rodrigues de Oliveira, ratificou ontem que não existe necessidade de evacuar as áreas de entorno do acidente. “Os produtos químicos já foram retirados da área quente e não é preciso acionar o plano de retirada de moradores do entorno. Se caso for necessário, conseguiremos retirá-los em 24 horas e levá-los para uma área segura. Inicialmente, nossa estratégia prevê a retirada de 400 pessoas em um raio de 500 metros. Se abrirmos para um quilômetro, esse número sobe para cinco mil pessoas”, garante Oliveira.

O coordenador revelou que está recebendo um equipamento do Exército responsável por medir o nível de partículas de produtos químicos suspensas no ar, com objetivo de confirmar a inexistência de perigo à população. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) também está medindo o ar. Ele adiantou que a Petrobrás está enviando equipamentos de combate a incêndio para reforçar o trabalho junto aos três tanques que permanecem em chamas.

O coordenador da Defesa Civil de Santos, coronel Daniel Onias, disse que equipes da Prefeitura estão visitando moradores dos bairros do entorno no sentido de orientá-los da possibilidade de remoção para escolas que estão preparadas para abrigar famílias em casos de emergência. “Estamos levando esclarecimento e não alarmando as pessoas. É preciso neutralizar os boatos. As pessoas não estão correndo risco. A fumaça produz fuligem (sujeira), mas não é tóxica, não oferece risco à saúde, pois não está atingindo as moradias”, afirma Onias.

O acidente

O incêndio nos tanques de combustíveis da Ultracargo, na Alemoa, começou por volta das 10 horas da última quinta-feira (2) e ainda não há previsão de término. Três dos seis tanques atingidos continuam em chamas. Segundo os bombeiros, ninguém morreu no incêndio. Pelo menos 15 pessoas que trabalhavam no local, entre funcionários e bombeiros, precisaram de atendimento já que inalaram fumaça. Todas foram liberadas.

Mais de cinco bilhões de litros de água do mar já foram utilizados no combate ao fogo. A Cetesb continua monitorando os possíveis danos ambientes e riscos à saúde pública. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente está investigando a morte de peixes no canal do Porto e alertando à população a não consumi-los.

A Marinha limitou o acesso de embarcações às áreas ao redor do incêndio na Ultracargo. Os terminais de Santos próximos do incêndio permaneceram fechados e o canal que dá acesso aos terminais de Cubatão também foram bloqueado por motivos de segurança.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) enviou sua Brigada de Incêndio da Guarda Portuária para ajudar no combate ao incêndio, acompanhado também por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Defesa Civil, da Sabesp e da Polícia Militar (PM).

Por causa do incêndio, a entrada do Porto de Santos, pela Via Anchieta, foi fechada. Seis navios que estavam atracados nos dois terminais próximos ao local do incêndio interromperam suas operações e foram retirados da região.

Uma empresa, que fica a 2 km do local do incêndio, emitiu alerta para os funcionários deixarem a área devido ao risco de serem atingidos por destroços caso haja uma grande explosão. A Ultracargo possui 59 tanques, sendo que 11 estavam vazios. O restante estava armazenando combustíveis, óleos, vegetais, etanol, corrosivos e químicos.

O Governo do Estado criou um gabinete de gestão de crise que está localizado na Prefeitura de Santos. Ele envolve o vice-governador, Márcio França, os secretários Saulo de Castro (Governo), José Roberto Rodrigues de Oliveira (Casa Militar), Alexandre de Moraes (Segurança Pública) e Patrícia Iglecias (Meio Ambiente), o comandante do Corpo de Bombeiros, Marco Aurélio Alves Pinto, e o general do Exército, João Chalela Júnior.