Finados é dia de trabalho para dois adolescentes

Jonas Brandão, de 13 anos, e Vitor Gabriel Miranda, de 12, aproveitaram o feriado para arrecadar dinheiro com intuito de comprar roupas

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03 NOV 201209h30

Entre as milhares de pessoas que passaram pelos cemitérios de Santos - Saboó, Areia Branca e Paquetá -, durante o dia de ontem, prestando homenagens a seus entes queridos, Jonas Brandão, de 13 anos, e Vitor Gabriel Miranda, de 12, tinham um motivo diferente para estarem no cemitério do Paquetá.

Os adolescentes poderiam estar aproveitando a data para brincar e se divertirem com seus colegas da mesma idade, mas preferiram utilizar o feriado de Finados para outra causa: arrecadar dinheiro com intuito de comprar roupas.
 
Carregando uma sacola plástica com detergente, um pote de cera e um pano, Jonas e Vitor realizavam a limpeza de diversas campas localizadas no cemitério. O material utilizado no serviço foi comprado pelos próprios adolescentes.  “Cobramos R$ 10,00 por campa e R$ 7,00 pelas gavetas, ficamos aqui durante dois dias”, conta Vitor. 
 
Mesmo com uma permanente garoa que caiu na Região na maior parte da manhã, os adolescentes trabalhavam com capa de chuva. Amigos, eles estudam na Unidade Municipal de Ensino (UME) Avelino da Paz Vieira, na Vila Nova, e moram nas proximidades do cemitério. Os adolescentes contam que não tem medo de ficar no local.
 
“Estamos aqui (cemitério) desde 2009, costumamos limpar nos dias dos pais, das mães e no de finados”, explica Jonas. De acordo com os adolescentes, no feriado do ano passado eles ganharam cerca de R$ 200,00. “Nós acabamos dividindo esse dinheiro, eu comprei um tênis”, conta o adolescente. 
 
Nesse ano, os meninos afirmam que utilizarão a quantia arrecadada para comprar roupas. “Vamos comprar bermudas, camisas, essas coisas. Não gastamos nosso dinheiro com bobagem”, diz Jonas, mais extrovertido que o amigo. “Quando o movimento é fraco nós ficamos lá fora (rua) cuidando dos carros”, explica Victor. 
 
Questionados sobre o que os pais achavam dessa tarefa, os meninos são claros: “Eles deixam, ficam tranquilos, pois, não estamos atrapalhando ninguém. Estamos ganhando dinheiro de forma honesta”. 
 
Por último, pergunto aos meninos: o que vocês querem ser quando crescer? Victor responde que ainda não sabe, já Jonas é direto: “quero ter um trabalho digno”.

 

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