Ex-provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém contesta padre

Felipe Moscatello garante que padre Francisco Pelonha quer desviar a atenção da intervenção irregular na igreja

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27 FEV 201511h27

O conflito entre o vereador Conrado Carrasco (PT) e o pároco Francisco Pelonha Neto, motivado em função da denúncia do parlamentar que o padre realizou uma intervenção irregular (construção de sala para o setor administrativo) em um patrimônio tombado — a Igreja Matriz de Sant’Anna — ganhou um novo personagem esta semana, após a publicação da reportagem: o ex-provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, Felipe dos Santos Moscatello.

“O padre Pelonha foi infeliz ao criticar o meu trabalho que foi sempre fiscalizado pela mesa administrativa da irmandade, que nunca apontou qualquer problema de gestão. Na verdade, ele quis desviar o foco por ter cometido crime contra o patrimônio histórico, denunciado pelo vereador”, garante Moscatello, que revela ainda que pediu afastamento da Provedoria por não suportar a pressão do padre.

Ele explica que a irmandade — pioneira no Brasil e criada em 1553 — também defende a área cultural e histórica de Itanhaém e, neste sentido, tempos atrás, começou a questionar diversas ações do pároco na comunidade, algumas relacionadas ao patrimônio, como a Igreja Matriz. “Desde que assumiu a paróquia, o padre Pelonha vem tomando atitudes sem consultar a paróquia, como reformas sem necessidade, fechamento de setores que funcionavam e impedimento de frequência de algumas pessoas. A construção da sala dentro da igreja tombada é apenas uma das ações”, garante o ex-provedor.

“Ele (padre) quis desviar o foco por ter cometido crime contra o patrimônio histórico (Foto: Matheus Tagé/DL)

Moscatello reclama que o padre teria usado de má-fé ao se referir a uma construção de uma sala no piso superior da igreja pela irmandade, insinuando que houve dois pesos e duas medidas na denúncia do vereador ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

“Na verdade, a irmandade apenas reconstruiu uma sala que já existia no piso superior e que havia sido danificada por cupins. Assim mesmo, foi usada madeira encaixada para que não gerasse dano algum ao patrimônio. Portanto, ele (padre) começou a criar subterfúgios e desviar o foco”, diz o ex-provedor, enfatizando o erro cometido pelo padre em construir sala com paredes de gesso na entrada lateral da igreja.