Estrada Guarujá-Bertioga ainda sofre efeitos das chuvas

O problema mais grave, segundo os moradores, se concentra entre os quilômetros 9,5 e 13

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28 MAR 2020Por Carlos Ratton07h30
Entre outros problemas, restos de lama e vegetação amontoadas aguardando remoção ocupam o acostamento da Guarujá-BertiogaFoto: DIVULGAÇÃO

As águas de março, que deixaram centenas de desabrigados, principalmente nos morros da Região Metropolitana da Baixada Santista, destruíram alguns pontos da Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP-61), conhecida como Guarujá-Bertioga, que até hoje não foram recuperados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

O sofrimento maior é dos caiçaras que moram às margens, que encaminharam imagens de alguns trechos, mostrando acostamentos intransitáveis - colocando em risco a vida de motoristas que precisam parar emergencialmente e de pedestres que os utilizam para acessar o transporte público -, postes caídos e ameaçando casas, trechos interditados com uso de cones - obrigando motoristas a trafegar pela contramão -, e restos de lama e vegetação amontoadas aguardando remoção.

O problema mais grave, segundo os moradores, se concentra entre os quilômetros 9,5 e 13. Também na região ocorreu um óbito na ocasião das chuvas, além de perdas parciais e totais de casas. Há deslizamentos também às margens do Canal de Bertioga e em áreas dos loteamentos Iporanga, Tijucopava e Sítio São Pedro, que dão acesso às praias, alguns bastante perigosos.

"Precisamos de ajuda para resolver esta situação. Estamos com a estrada com postes de energia elétrica caídos e necessitando de manutenção urgente, principalmente aonde teve danos das fortes chuvas do início de março. Até o momento, tudo está parado sem qualquer previsão de resposta. Não dá pra ficar esperando chover de novo. Alguém precisa resolver isso", reclama o secretário geral da Associação dos Moradores e Amigos da Cachoeira da região do Rabo do Dragão, Sidnei Bibiano Silva dos Santos.

DER E PREFEITURA

O DER informou ontem que contratou as obras emergenciais para correção da pista, onde houve uma trinca longitudinal de aproximadamente 120 metros, o reparo de duas linhas de tubo nos quilômetros 13,7 e 13,9, e a construção de muro de arrimo. A partir de segunda-feira (30) a empresa dará início na mobilização do canteiro de obras. O prazo previsto de conclusão é três meses.

A Defesa Civil de Guarujá informa que as equipes foram nos loteamentos e deram as recomendações a serem adotadas pelos proprietários. Dentre elas, a remoção do material, obras de contenção, interdições, entre outras.

MUNICIPALIZAÇÃO

É importante lembrar que existe uma discussão entre a Prefeitura e o DER relacionada à municipalização da Guarujá-Bertioga. A possibilidade está sendo analisada financeira, administrativa e operacionalmente.

A Administração havia se manifestado favorável à medida no trecho urbano que compreende os quilômetros 4,5 e 8,5. Também será necessário autorizações do Executivo e Legislativo estaduais.

A proposta já foi discutida pelos membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Guarujá, gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra do Guararu. Reuniões itinerantes também estão previstas.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recebeu indicação formal para municipalizar por intermédio da deputada Monica da Bancada Ativista (PSOL), a pedido de Sidnei Bibiano, que acredita que a municipalização vai ampliar os serviços públicos e o crescimento econômico da região.

O pedido de Monica atinge os 22,5 quilômetros da estrada, ligando a área urbana até a balsa que dá acesso ao município de Bertioga. O trecho urbano é conhecido pelos nomes Estrada do Pernambuco e Avenida Marjory da Silva Prado.

A deputada finaliza, justificando que toda a estrada possui características urbanas, com serviços de correios, transporte público, coleta de lixo, iluminação, mas tudo de forma bastante precária, necessitando ampliar a infraestrutura para famílias que lá residem por mais de 70 anos.