Estado Islâmico alega ter tomado toda a cidade de Ramadi, no Iraque

O recuo de algumas forças lembra o colapso da polícia iraquiana e forças militares no passado, quando o Estado Islâmico fez sua primeira entrada no Iraque e capturou cerca de um terço do país

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17 MAI 201516h47

O grupo extremista Estado Islâmico alegou neste domingo que tomou toda a cidade de Ramadi, no Iraque, depois que forças de segurança fugiram após uma série de ataques de carros-bomba. Questionados, oficiais iraquianos deram informações divergentes sobre se a cidade de fato havia ficado sob controle do grupo, enquanto o primeiro-ministro pediu que forças de segurança não abandonem seus postos na província de Anbar.

Em um site frequentado por membros do Estado Islâmico, uma mensagem do grupo alegava que seus militantes tomaram toda a cidade de Ramadi. A mensagem afirma que o grupo tomou uma base do exército, assim como tanques e lançadores de mísseis que foram deixados para trás por soldados em fuga. Embora a veracidade do texto não tenha sido imediatamente confirmada, a mensagem é parecida com outras já publicadas pelo grupo e foi compartilhada online por conhecidos apoiadores dos extremistas.

O recuo de algumas forças lembra o colapso da polícia iraquiana e forças militares no passado, quando o Estado Islâmico fez sua primeira entrada no Iraque e capturou cerca de um terço do país.

Policiais e oficiais militares disseram que ocorreram pelo menos quatro bombardeios simultâneos, os quais tinham policiais como alvo. Ao menos dez pessoas morreram, segundo informaram, e outras 15 foram feridas. Entre os mortos, está o coronel Muthana al-Jabri, chefe da estação policial de Malaab, disseram.

Mais tarde, a polícia disse que três suicidas dirigiram carros com explosivos na direção dos portões da operação de comando de Anbar, quartel-general dos militares da província. Cinco soldados morreram e 12 se feriram.

Fortes enfrentamentos eclodiram entre forças de segurança e militantes do Estado Islâmico logo depois dos ataques. Os extremistas depois tomaram Malaab assim que forças do governo recuaram, com militantes passando a afirmar que eles agora controlam o quartel-general dos militares.

Um policial que estava em Malaab afirmou que as forças que recuaram deixaram cerca de 30 veículos do exército e armas, incluindo fuzis. Segundo ele, doze oficiais da polícia ficaram desaparecidos depois do enfrentamento.

Todos os oficiais falaram sob condição de anonimato, uma vez que não têm autorização para dar informações à jornalistas.

Uma autoridade na província de Anbar, o conselheiro Athal al-Fahdawi, afirmou que a cidade caiu nas mãos dos militantes. Outro, o conselheiro Mahmoud Khalaf, negou a informação. O governo iraquiano não comentou.

O revés ocorre apenas um dia depois da decisão de Bagdá de mandar reforços para ajudar as forças em Ramadi. Embora tenha falado em uma transmissão da TV estatal, o primeiro-ministro Haider al-Abadi não comentou a situação de Ramadi ou de qualquer outro local na província de Anbar. Aeronaves iraquianas lançaram ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico em Ramadi no domingo, disse o Ministro de Defesa, mas ele não elaborou.

Mais tarde, os militares emitiram uma declaração pedindo que os soldados não abandonassem a província de Anbar. "A vitória estará do lado do Iraque porque o Iraque está defendendo sua liberdade e dignidade, disse o texto, que não trouxe informações sobre o embate atual.