Escândalo do Canil: Sindest sabia da situação e acusa Comando da Guarda

Presidente do sindicato acusa a Secretaria Municipal de Segurança e o Comando da Guarda de ‘travarem’ as negociações do Sindicato com a Administração Municipal sobre a corporação

O descaso com relação à saúde dos homens e dos cães que prestam serviços no Canil da Guarda Municipal de Santos, flagrado pelo Diário do Litoral e publicado na última quarta-feira (2), acabou denunciando problemas além de estruturais. Ontem, o presidente do Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, informou, via assessoria de imprensa, que a entidade sabia do problema e ainda ampliou: “As condições de trabalho da Guarda de Santos são as piores possíveis. E os entendimentos com a Prefeitura para melhorá-las são truncados pelo comando da corporação”.

Continua após a publicidade

O presidente do Sindest acusa a Secretaria Municipal de Segurança e o Comando da Guarda de ‘travarem’ as negociações do Sindicato com a Administração Municipal sobre a corporação. “Enquanto o secretário e o comandante forem policiais militares reformados e não integrantes do quadro de carreira da Guarda, a situação permanecerá assim. “É difícil conversar com esses verdadeiros coronéis, que nem aqueles dos sertões brasileiros, que fazem da Guarda Municipal bicos para complementar suas aposentadorias na Polícia Militar”, dispara Fábio.

A Guarda Municipal é comandada por Flávio de Brito Júnior e é subordinada ao secretário de Segurança do Município, coronel Sérgio Del Bel Júnior. Pimentel reafirma que o canil está de fato “caindo pelas tabelas”, que já havia denunciado várias vezes e pedido de providências à Prefeitura. Ele destaca que as reclamações do Sindest resultaram na elaboração de um projeto de reforma do canil, mas que foi ignorado.

Continua após a publicidade

Leia também: Governistas se calam sobre problemas no canil da Guarda Municipal

Muito além do canil

Continua após a publicidade

Pimentel garante que as péssimas condições de trabalho dos guardas não estão apenas no canil, mas também nas coordenadorias da corporação nas Zonas Noroeste, Leste, Centro, morros e praias. “Há falta de equipamentos e de uniformes. Chove nos refeitórios e demais dependências, inclusive no prédio novo do Emissário Submarino. São locais quentes, úmidos e abafados”, denuncia.

O sindicalista revela que o vereador Adilson Júnior (PT) também tem encaminhado à Prefeitura diversas denúncias sobre os problemas na Guarda Municipal, inclusive sobre o canil. Segundo Pimentel, Júnior apresentou e conseguiu aprovar dois projetos de emenda parlamentar, destinando verba do orçamento para a reforma do canil, “o que, infelizmente, não ocorreu”. O sindicalista espera que a adequação do estatuto municipal ao estatuto nacional das guardas civis municipais resolva a questão.

Continua após a publicidade

Confira a reportagem no canal do Diário do Litoral no YouTube:

Situação do equipamento

Continua após a publicidade

O Canil da Guarda Municipal se encontra sucateado e insalubre. Há restos de móveis entulhados. Os vestiários destinados aos guardas são apertados e só oferecem condições mínimas de higiene. O mesmo ocorre com os banheiros. Os guardas se alimentam em um galpão sujo, com móveis quebrados e com telhado parcialmente destruído. O fogão fica sujeito a contato de ratos e baratas. Não existe cobertura na pia onde a louça é levada. Inúmeras bicicletas estão entulhadas em um canto do imóvel.

Prefeitura

Continua após a publicidade

Procurada, a Guarda Municipal reafirma que tem projeto de reforma para o canil. Em relação aos comentários dos sindicalistas, a Prefeitura de Santos informa que nos últimos três anos vem implantando uma política de modernização e valorização da Guarda.

Hoje, às 14 horas, o vereador Kenny Mendes estará reunido com o ouvidor da Prefeitura Flávio Jordão e com o secretário de Comunicação e Resultados Rivaldo Santos para discutir os problemas apontados no Canil da Guarda.   

Continua após a publicidade

Ativista da ong Onda Vegana lamenta situação dos guardas e dos cães

O ativista Leandro Ferro, do grupo Onda Vegana, lamenta a situação dos guardas e enfatiza que a dos animais é ainda pior. “Primeiro que cachorro não deve ser escravo de ninguém para trabalhar. Não há nada que um cachorro faça que um policial não possa fazer. Cães são animais extremamente territorialistas e sociais. Condená-los a baias minúsculas e ao isolamento como se fossem criminosos é extremamente cruel a natureza deste animais”, afirma.

Continua após a publicidade

Ferro também aponta problemas em outros espaços municipais. “A antiga Codevida, localizada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, abriga mais de uma centena de animais em situação semelhante ou pior que esta mostrada na reportagem do Diário e com total ciência do poder público e dos vereadores da cidade, em especial o que tem a causa animal como sua plataforma política”.