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Envio de líder do PCC a Porto Velho é 1ª ação de parceria entre Estado e União

Ações serão conjuntas especialmente na área de inteligência.

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07 NOV 201214h35

A reunião entre integrantes dos governos estadual e federal ocorrida ontem no Palácio dos Bandeirantes para definir medidas conjuntas de combate à violência em São Paulo se concentrou em soluções de médio prazo. Das seis ações anunciadas, apenas uma tem efeito imediato: a decisão de enviar para presídios federais criminosos que atentaram contra agentes de segurança em São Paulo.

Nesta-quarta (07), já saiu o primeiro nome. O traficante Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, será transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho no máximo até amanhã. Preso em Itajaí (SC) em 26 de agosto, ele cumpria pena em Mirandópolis. Ao ser preso, segundo homens da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Piauí afirmou que dois PMs morreriam a cada morte de integrante do Primeiro Comando da Capital. Um "salve geral" apreendido em Paraisópolis, comunidade onde ele era chefe do tráfico, também mandava bandidos matarem PMs.
 
Por outro, ficou de lado a promessa da Secretaria Nacional de Segurança Pública de enviar homens do Exército e Força Nacional para ocupar favelas paulistas. "As Polícias Civil e Militar de São Paulo têm efetivo suficiente. O Exército está no momento descartado", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
 
As outras cinco iniciativas anunciadas já haviam sido prometidas em diferentes momentos e ainda dependem do estreitamento da relação entre agentes federais e estaduais e de uma coordenação que os levem a trabalhar conjuntamente. Uma nova reunião, marcada para segunda-feira, tentará definir detalhes dessas parcerias. É o caso da agência que será criada para integrar a inteligência das Polícias Federal, Civil e Militar a órgãos financeiros de combate à lavagem de dinheiro para que trabalhem juntas contra organizações criminosas.
 
Tanto a Secretaria da Administração Penitenciária, por parte do Estado, quanto a Polícia Federal, pela União, têm serviços de inteligência que investigam o crime, assim como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda. A parceria vai levar à troca de informações entre essas partes.

Outra medida será tentar bloquear por terra, mar e ar as rotas de entrada de drogas e armas em São Paulo, com ajuda das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. O Porto de Santos foi citado como um local que receberá atenção especial. Ao anunciarem as medidas, tanto o governador Geraldo Alckmin quanto o ministro da Justiça tentaram demonstrar união. Também não faltaram frases de efeito. "É preciso cortar o fluxo de dinheiro das organizações criminosas. Contra essas organizações, não é possível retroceder um milímetro", disse Alckmin. "Juntos, os governos estadual e federal são mais fortes que o crime organizado", afirmou Cardozo.
 
União e Estado também requentaram parcerias que já vinham sendo anunciadas desde o ano passado, quando o Governo Federal anunciou o plano de combate ao crack. O estreitamento das relações no combate à droga voltou a ser prometido ontem, assim como o anúncio de bases comunitárias móveis em cracolândias. As outras duas ações a serem detalhadas são as parcerias para aprimorar os trabalhos da Polícia Científica na identificação da origem da droga e na criação de um centro de controle integrado contra o crime organizado, cujas decisões sejam tomadas conjuntamente.

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