'Dragão azul', molusco raramente avistado, é encontrado em Bertioga

O encontro aconteceu enquanto ela caminhava pela faixa de areia na Riviera de São Lourenço

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08 SET 2021Por Folhapress21h28
O dragão azul solta toxinas e pode causar queimaduras e danos no corpo também dos humanosO dragão azul solta toxinas e pode causar queimaduras e danos no corpo também dos humanosFoto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Um molusco que raramente é avistado, conhecido popularmente como dragão azul (Glaucus atlanticus), foi flagrado numa praia de Bertioga, no litoral sul paulista, e rapidamente a sua imagem viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (8).

A aparição foi registrada por uma moradora local, a arquiteta Dalma Mesquita Ferreira, 61. O encontro aconteceu enquanto ela caminhava pela faixa de areia na Riviera de São Lourenço, bairro do município. Ela conta que chegou a confundir o animal, que é um predador de águas-vivas e caravelas-portuguesas, com uma tampa de garrafa.

"Eu caminho todos os dias e, consequentemente, encontro muito lixo e diversos animais. Quando vi algo azul, bem na beira [do mar], pensei que fosse uma tampinha, mas, quando me aproximei, já logo notei algo mexendo. Registrei rapidamente, tenho por regra tentar não pôr a mão no bicho. Foi tempo suficiente para fazer alguns registros e a onda levá-lo novamente ao mar", disse.

As imagens foram publicadas em redes sociais por seu filho, o biólogo especializado em vida marinha Rafael Mesquita. "Quando enviei para o meu filho, ele logo apontou o que era. Nos quilômetros que percorro diariamente o que mais encontro é lixo, isso é impressionante, principalmente o que vem de embarcações. Foi uma experiência positiva desta vez, pois estava com vida."

O molusco é conhecido por ser um predador de águas-vivas e, principalmente, das caravelas-portuguesas (Physalia physalis), espécie da mesma família das águas-vivas que ganhou esse nome por parecer uma pequena embarcação antiga.

O dragão azul solta toxinas e pode causar queimaduras e danos no corpo também dos humanos. Segundo o biólogo José Eduardo Marian, professor do departamento de zoologia do Instituto de Biociências da USP, a aparição se torna incomum pela dificuldade de registros do dragão azul.

"São animais que vivem em mar aberto, flutuando. Eles aprisionam gás e ficam na superfície, então é muito difícil registrá-los. Os Glaucus usam as caravelas como fonte de alimentos e aproveitam suas células para a sua própria defesa. É um animal comum, mas de difícil acesso", disse Marian.

 

O animal não chegou a ser registrado pelo Programa de Monitoramento de Praias, que na região é coordenado diariamente pelo Instituto Gremar. Ele não é considerado fauna-alvo do projeto, que percorre as praias do litoral paulista até Santa Catarina.

No último ano, o dragão azul teve aparição numerosa no litoral catarinense devido a uma série de colônias migratórias. A movimentação foi acompanhada pela ONG Educamar, de Balneário Arroio do Silva (a 226 km de Florianópolis).

"Já tinha registrado uma velella [outro tipo de água-viva], além de caranguejos, caravelas e aves, mas este é bem incomum", comemora a arquiteta.