A resiliência dos homens gays que se aproximam da terceira idade após viverem sob um regime autoritário na infância e juventude inspira o documentário “Daddies”, de Platão Capurro Filho, que reúne histórias colhidas na Baixada Santista.
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O documentário terá sua pré-estreia no dia 13 de dezembro, segunda-feira, às 20h, no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS); e estreias online nos dias 14 e 15 de dezembro, no Youtube @ Widia Cultural.
O projeto audiovisual mostra como cada um deles assumiu sua orientação sexual, seus relacionamentos, suas trajetórias profissionais e cidadãs até este momento, reunindo os depoimentos de André Leahun, Beto Volpi, Daniel Maia, Jorge Fonseca, Marcelo Mota e Waldir Correia.
A ideia surgiu após uma observação atenta da realidade brasileira: a expectativa de vida dos brasileiros passou de 76,3 para 76,6 anos e, ao mesmo tempo, o país hoje possui 30 milhões de idosos, sendo 10% deles LGBTQ+.
“Um gay que esteja chegando aos 60 anos nasceu em plena ditadura militar e viveu sua infância, adolescência e juventude nesse período. Também passou pela epidemia da AIDS que a mídia classificou como ‘peste gay’ e hoje convive com a pandemia da COVID-19, que tem como grupo de risco as pessoas acima de 50 anos”, reflete o idealizador e diretor do documentário, Platão Capurro Filho.
Estudos apontam que dos 3 milhões de idosos gays do Brasil, muitos “voltam para o armário” quando chegam à terceira idade, para poderem continuar vivendo em sociedade. Outros vão para asilos, onde continuam sofrendo com o preconceito.
De acordo com Platão, essa geração conquistou diversos direitos para a comunidade, apesar de criticada e marginalizada, e agora é esquecida na velhice.
“Envelhecer deve ser um temor para a maioria das pessoas, mas para um gay, que normalmente é identificado pelo culto ao corpo, à beleza, à juventude, esse temor é ainda maior, é assustador. Muitos dizem preferir morrer aos 35, 40 anos para não passarem pela degradação do corpo”.
O realizador do documentário ressalta ainda que, entre os idosos, uns resistem mais ao processo de envelhecimento, outros assumem a idade e suas vicissitudes e não lutam para modificá-las. Se conformam. Outros assumem o conceito de envelhecimento ativo e praticam uma longevidade saudável. “Mas parece que a sociedade não enxerga nada disso e coloca todos no mesmo balaio, evidenciando o etarismo e limitando com tabus e estereótipos o trabalho, o amor, o sexo e o prazer”, finaliza.
Platão Capurro Filho
Ator, diretor, produtor e arte educador completando 33 anos de carreira em 2021, Platão tem formação teatral no Rio de Janeiro, com Maria Clara Machado e Maria Vorhees no teatro “O Tablado”.
Em São Paulo fez técnico de ator no Teatro Escola Macunaíma. Foi integrante de alguns grupos como o Teatro Oficina, Boi Voador e Cia Teatro X. Começou na direção fazendo codireção e iluminação do espetáculo “No Alvo”, com prêmios Shell e Mambembe para Maria Alice Vergueiro.
Há 18 anos é diretor artístico e cofundador do Teatro Widia grupo com sede em Santos (SP) que traz em seu currículo diversos prêmios com os espetáculos: Vamos Jogar o Jogo do Jogo, Água Mole em Pedra Dura… As Meninas da Roda, Cidadão de Papel, Mas… Será o Benedito, Calixto? O Causo do Sequestro do Carbono. Farrandança. Medo de Escuro e Meu Quintal é maior do que o Mundo.
Fez a Direção de Núcleo da Encenação da Vila de São Vicente por quatro anos e dirigiu e apresentou o programa Galeria na TV Santa Cecília – Santos. Produziu as exposições Foco Caiçara, Ciatas de Santos: Mulheres que no Samba Resistem e ClanTransDestina – Mulheres Trans em situação de rua. Há 11 anos é um dos organizadores do Festival Santista de Teatro e articulador do Movimento Teatral da Baixada Santista.
