O tradicional “chocolate meio amargo” pode estar com os dias contados nas prateleiras brasileiras, pelo menos no nome. O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 1.769/2019, que estabelece novas regras para a rotulagem e composição de produtos derivados de cacau no país, priorizando a transparência das informações ao consumidor.
A proposta não altera o sabor nem a fabricação dos chocolates, mas muda a forma como eles são apresentados. Termos populares como “amargo” e “meio amargo” tendem a desaparecer dos rótulos, dando lugar à indicação clara do percentual de cacau, considerado um critério mais objetivo.
Percentual de cacau passa a ser destaque nas embalagens
O projeto determina que os rótulos informem de forma visível a quantidade de cacau presente no produto, inclusive na parte frontal da embalagem.
A medida busca padronizar a comunicação e evitar interpretações subjetivas, já que hoje expressões como “meio amargo” podem variar bastante entre fabricantes.
Além disso, o texto estabelece critérios mínimos para que um produto seja considerado chocolate. Entre eles:
mínimo de 35% de cacau para chocolates mais intensos
mínimo de 25% de cacau para chocolate ao leite
definição de novas categorias, como o chamado “chocolate doce”
Essas regras organizam melhor o mercado e aproximam o Brasil de padrões internacionais de qualidade.

Por que o ‘meio amargo’ pode acabar?
Um dos principais motivos para a mudança está na falta de padronização atual. Estudos mostram que muitos chocolates rotulados como “meio amargo” têm composição semelhante a produtos mais doces, com alto teor de açúcar e baixo percentual de cacau.
Com isso, o projeto elimina o uso dessas classificações e passa a considerar apenas critérios técnicos.
Na prática, um chocolate com maior teor de cacau continuará existindo, mas será identificado pelo percentual, como 60%, 70% ou mais, por exemplo.
Mais transparência para o consumidor
A proposta também reforça a proteção ao consumidor, ao tornar as informações mais claras e comparáveis entre marcas.
Hoje, a legislação permite que chocolates tenham, no mínimo, 25% de cacau, o que pode gerar produtos bastante diferentes sendo vendidos sob a mesma categoria.
Com a nova regra, a expectativa é reduzir esse tipo de distorção e facilitar a escolha na hora da compra.
Impactos para indústria e mercado
Caso o projeto seja sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a indústria de chocolates terá que adaptar embalagens, estratégias de marketing e até posicionamento de produtos.
Especialistas apontam que a mudança pode:
aumentar a concorrência por qualidade
valorizar chocolates com maior teor de cacau
estimular a produção nacional de cacau
reduzir práticas consideradas enganosas
O texto também define parâmetros mais rigorosos para composição, incluindo limites para gorduras vegetais e exigências específicas para diferentes tipos de chocolate.

O que muda para quem consome chocolate?
Para o consumidor, a principal mudança será no rótulo e na forma de escolher.
Em vez de confiar em termos como “meio amargo”, será necessário observar diretamente a porcentagem de cacau, que indica:
intensidade do sabor
teor de açúcar
qualidade do produto
Ou seja: o “meio amargo” não desaparece do paladar, apenas da embalagem.
Próximos passos
Apesar da aprovação no Congresso, o projeto ainda precisa da sanção presidencial para entrar em vigor. Após isso, deverá haver um período de adaptação para que empresas se adequem às novas regras.
Se confirmada, a medida promete mudar a forma como os brasileiros consomem chocolate, com mais informação, menos marketing subjetivo e escolhas potencialmente mais conscientes.
