Como o Porto de Santos se prepara contra o risco de ebola e surtos globais

Maior complexo portuário da América Latina nunca registrou casos da doença, mas mantém protocolo acionado pela Anvisa em situações de risco sanitário

Todas as embarcações precisam informar à Anvisa, antes da atracação, se há algum tripulante ou passageiro doente a bordo/Cruz Vermelha

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acionou no último domingo (17) seu nível máximo de alerta sanitário para casos de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, no continente africano. Devido a gravidade, o Diário do Litoral entrou em contato com assessoria de imprensa do Porto de Santos para entender quais medidas serão adotadas se houver registro da doença no país.

O maior complexo portuário da América Latina possui um plano de contingência específico para responder a casos suspeitos de ebola e outras doenças infectocontagiosas em embarcações que chegam ao país.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) esclareceu que, sempre que há risco sanitário identificado em navios, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aciona o chamado Plano de Contingência do Porto de Santos (PCPS), no módulo de saúde pública.

O documento estabelece diretrizes, procedimentos e responsabilidades para a resposta rápida a eventos de saúde pública, incluindo emergências nacionais e internacionais.

Pelo protocolo, a Anvisa atua como autoridade sanitária local no Porto de Santos e fica responsável por avaliar o risco e definir as medidas necessárias. À APS cabe fornecer apoio operacional, logístico e de comunicação.

Navios só atracam após autorização sanitária

A APS também comentou que todas as embarcações que chegam ao Porto de Santos precisam obter anuência da Anvisa antes da atracação.

No processo, o comandante do navio deve informar se há pessoas doentes a bordo. Caso seja identificado um quadro suspeito de doença infectocontagiosa, a Anvisa é comunicada e a embarcação permanece aguardando autorização para atracar.

A partir daí, a agência conduz a avaliação de risco em conjunto com autoridades de saúde estaduais e municipais e determina os procedimentos a serem adotados.

A Autoridade Portuária, por sua vez, garante o acesso das equipes de atendimento, o isolamento e controle das áreas envolvidas e o suporte logístico necessário para a operação.

Procedimento também vale para mortes a bordo

Quando ocorre um óbito durante a viagem, a atuação segue os protocolos definidos pela Anvisa e pelas secretarias de Saúde do estado e do município.

Nesses casos, a APS também atua no apoio à execução das medidas sanitárias, organizando o acesso das equipes médicas e o controle das áreas portuárias.

Nunca houve casos de ebola no Porto de Santos

É importante reforçar que, de acordo com a Autoridade Portuária, nunca houve registro de casos de ebola no Brasil nem em embarcações com destino ao Porto de Santos. Mesmo assim, o sistema de vigilância permanece ativo.

Questionada sobre a chegada de embarcações provenientes de regiões afetadas por surtos da doença, a APS relatou que apenas dois navios atracaram em março e vieram da República Democrática do Congo. Nenhuma delas apresentou ocorrência sanitária relacionada ao ebola.

O que é o ebola

O Ebola é uma doença viral grave, transmitida por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados.

Os surtos costumam ocorrer em países da África Central e Ocidental e são monitorados por organismos internacionais de saúde devido ao alto índice de letalidade.

Embora o risco de importação para o Brasil seja considerado baixo, autoridades sanitárias mantêm protocolos preventivos em portos, aeroportos e fronteiras para garantir resposta rápida caso surja alguma suspeita.