A Organização Mundial da Saúde acionou o seu nível máximo de alerta sanitário neste último domingo (17). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou que o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda representa oficialmente uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.
Consequentemente, a decisão marca a nona vez na história que a organização utiliza esse dispositivo de urgência para conter uma crise de saúde profunda.
O status de atenção foi adotado por causa do risco iminente de disseminação internacional do patógeno e da enorme gravidade do cenário local, ainda que a situação não atenda no momento aos critérios técnicos de uma pandemia.
Antes de tudo, é preciso compreender o que diferencia o surto de agora. A emergência atual é causada pela cepa Bundibugyo.
Em outras palavras, trata-se de uma variante muito agressiva do vírus para a qual ainda não existem vacinas preventivas ou tratamentos médicos específicos desenvolvidos.
Atualmente, a província de Ituri, localizada na República Democrática do Congo, já contabiliza 246 casos confirmados e 80 mortes suspeitas. Além disso, o país vizinho também sofre fortemente os impactos.
A capital de Uganda, Kampala, diagnosticou laboratorialmente dois casos da doença, incluindo um óbito. As vítimas identificadas em Uganda haviam viajado recentemente para o território congolês.
O histórico das emergências sanitárias
Desde a criação dos Regulamentos Sanitários Internacionais, no ano de 1969, o mecanismo de alerta extremo foi acionado em outras oito ocasiões para conter crises globais. Confira abaixo:
Ebola
O novo decreto sobre o Ebola sinaliza a terceira vez que a entidade volta os olhos de forma tão urgente para esse mesmo vírus.
O micro-organismo já havia paralisado o mundo entre 2014 e 2016, na África Ocidental, deixando mais de 11 mil vítimas fatais. Um segundo alerta ocorreu logo depois, entre os anos de 2019 e 2020.
Covid-19
Do mesmo modo, a humanidade enfrentou outros desafios virais imensos ao longo das últimas décadas. A severa emergência da Covid-19, iniciada em janeiro de 2020, acumulou sete milhões de perdas oficiais.
No entanto, relatórios elaborados pela própria organização apontam que o número de mortes reais diretas e indiretas chegou perto de 22 milhões.
A suspensão desse quadro drástico ocorreu somente em maio de 2023, motivada pelo avanço maciço da vacinação mundial.
Poliovírus
Em contrapartida, agentes como o poliovírus protagonizam a emergência mais longa de toda a história da organização. O decreto está em vigor desde maio de 2014 e serve para evitar a transmissão internacional do vírus causador da paralisia infantil, buscando a sua erradicação definitiva.
Mpox
Igualmente, o vírus Mpox disparou dois grandes alertas recentes. O primeiro aconteceu em 2022 devido à rápida disseminação global, seguido por um novo decreto em 2024.
A crise de Mpox mais recente foi encerrada em maio de 2025 após uma queda de 90% nas notificações oficiais.
Zika Vírus
O histórico de tensões também inclui a explosão trágica do Zika Vírus em solo internacional. No ano de 2016, os casos de microcefalia e diversos distúrbios neurológicos ativaram a urgência máxima de fevereiro até novembro.
Gripe Suína (H1N1)
Anteriormente, a primeira grande emergência da era moderna precisou ser instaurada em abril de 2009. A Gripe Suína H1N1 causou mais de 280 mil perdas ao redor do mundo antes de ser convertida em uma gripe sazonal no final de 2010.
Por fim, diante de todos os relatos alarmantes dos últimos dias, o posicionamento sobre a cepa Bundibugyo atua de imediato para mobilizar a comunidade de cientistas.
O foco da campanha é viabilizar verbas emergenciais e garantir total cooperação técnica para combater o patógeno na África antes que a doença ganhe uma perigosa escala intercontinental.
