Comissão vai apurar denúncia sobre aeroporto de Guarujá

Consórcio Guarujá Airport teria sido favorecido com despacho irregular, afirma ex-secretário

A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara de Guarujá irá apurar a denúncia do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Portuário, Cláudio Fernando de Aguiar, publicada com exclusividade pelo Diário do Litoral no último domingo (12), que o Consórcio Guarujá Airport, reabilitado pelo prefeito Válter Suman (PSB) para construir, explorar e manter o Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá não possui toda a documentação necessária para viabilizar o empreendimento.

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Segundo Aguiar, teria sido realizado um procedimento irregular para beneficiar o consórcio, em que um dos integrantes é a empresa Terracom, responsável por limpeza urbana, construções e obras civis em Guarujá e em toda a Baixada Santista.

A comissão é presidida pela vereadora Andressa Sales (PSB – partido do prefeito). Além de Andressa, fazem parte da comissão o vereador e relator Mário Lúcio da Conceição (PR); Fernando Martins dos Santos, o Peitola (PSDB); José Francinaldo Ferreira de Vasconcelos, Naldo Perequê (PPS) e Luciano de Moraes Rocha, o Tody (PMDB).

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A indicação para providências da Comissão foi do vereador Edilson Dias (PT), presidente do Legislativo. “A denúncia é gravíssima e a comissão tem que convocar o ex-secretário para que ele ratifique as provas apresentadas à Reportagem. Se isso ocorreu, é um grave erro no início da gestão Suman”, disse Dias.

Andressa Sales garante que vai apurar “todos os fatos da denúncia. Estou aqui para cumprir a lei e um trabalho com transparência. Se alguém for culpado, será cobrado. Quero chamar o ex-secretário (Cláudio Aguiar) e solicitar as provas, para a gente se aprofundar na questão e tomar todas as medidas cabíveis”, disse.

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Há seis anos na comissão, Mário Lúcio disse que vai convocar todos os envolvidos na questão. “É uma denúncia séria. Ele (Aguiar) apresentou documentos e vamos analisar a veracidade das provas. Se o secretário (Benzi) e o prefeito (Suman) abonaram o erro, é óbio que isso não poderia ser feito. Vamos ouvir denunciante e denunciados”, revelou. Não há ainda prazo para as convocações.     

Denúncia

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Cláudio Aguiar foi integrante da Comissão de Licitações do Governo Maria Antonieta de Brito (PMDB). Ele garante que o atual secretário que ocupa a pasta, Gilberto Benzi, e o prefeito, Válter Suman, foram alertados individualmente mas resolveram reabilitar o consórcio. Ele vai enviar toda a documentação ao Ministério Público (MP).   

Ano passado, a Prefeitura de Guarujá havia lançado novo edital para concorrência pública internacional. O objeto da licitação foi delegado ao Município pelo Governo Federal. O certame foi reaberto porque o processo que estava em trâmite foi considerado fracassado devido ao fato do Guarujá Airport não ter atendido a todos os itens do edital. No entanto, já como prefeito, Suman resolveu voltar atrás e reabilitar o consórcio. O Guarujá Airport foi o único licitante do certame e que havia ingressado com um recurso, aceito sem muita explicação pela atual Administração.

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País de origem

Segundo Cláudio Aguiar, o consórcio é formado por uma empresa estrangeira sediada nos Emirados Árabes, uma construtora brasileira e a Terracom. 

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“A empresa estrangeira não apresentou para a comissão o documento equivalente ao contrato social devidamente legalizado perante a autoridade consular brasileira. Portanto, não comprovou, perante a legislação brasileira, ser uma empresa regularmente registrada em seu país de origem, não provou que existe”, garante Aguiar que possui cópia de todo o processo e até os e-mails trocados entre a Prefeitura e os órgãos federais e internacionais.

Segundo o ex-secretário, ao analisar a documentação de habilitação do Guarujá Airport, a ficha cadastral – documento equivalente ao contrato social – não possuía o carimbo da autoridade consular, que é o requisito necessário para que o documento seja legalmente aceito em território nacional. Os membros da comissão realizaram diligências junto ao Consulado do Brasil em Dubai, bem como, junto ao Ministério das Relações Exteriores.

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Aguiar comprova que o Ministério das Relações Exteriores informou que os representantes da empresa estrangeira não estavam agindo corretamente, pois não apresentaram a documentação necessária para a devida legalização consular e foram devidamente cientificados do motivo pelo qual aquele documento não poderia ser legalizado: a apresentação de cópia ao invés do documento original.

“No seu recurso, o consórcio alegou que a ficha cadastral havia sido legalizada em conjunto com os demais documentos. No entanto, a comissão detectou que o consórcio resolveu reunir todos os três documentos em um só para tentar burlar a falta do carimbo da autoridade consular na ficha cadastral. A fraude foi descoberta após consulta ao Itamarati, porque existe uma taxa (seis euros) para documentos separados e 30 euros para documentos conjuntos e o carimbo desse último não existe, nem entre páginas”, afirma o ex-secretário.