Coleta seletiva é fraca na Região

Das nove cidades, só Santos tem lei que disciplina a coleta de recicláveis.

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22 SET 2019Por Vanessa Pimentel07h03
Com exceção de Guarujá, todas as cidades oferecem o serviço, mas nenhuma têm previsão de quando sancionará lei para recicláveis.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

A coleta seletiva caminha devagar na região. Com exceção de Guarujá, todas as cidades da Baixada Santista oferecem o serviço, mas nenhuma delas tem previsão de quando sancionará uma lei que discipline o gerenciamento do lixo e da coleta, a exemplo de Santos.

E se com a possibilidade de multa por descarte de resíduos misturados Santos ainda enfrenta grande quantidade de rejeitos na cooperativa de recicláveis Comares, sem ela, a situação era pior.

Por exemplo, em janeiro do ano passado, mesmo com a lei, a montanha de rejeitos chegou a 276 toneladas, contra 266 de recicláveis. Com o passar do tempo e a população se adaptando à lei, o rejeito ainda é problema, mas o cenário tem melhorado e Santos comemorou, em junho passado, dois anos de lei conseguindo sair de 2% para 18% no índice de reciclagem, uma das melhores taxas do país.

Em outras cidades da Baixada Santista, este índice está longe de ser alcançado. Em Mongaguá, por exemplo, a média mensal de materiais recolhidos é de 187 kg. Ou seja, leva cerca de oito meses para a cidade contabilizar 1,5 tonelada.

No município, a coleta seletiva é feita por dois caminhões e os recicláveis são levados para as cooperativas Coopermar e Reciclamar. Porém, a quantidade poderia ser maior se a população aderisse ao serviço.

"Ainda existe a falta de cultura em relação à separação do material a ser descartado", explicou, em nota, a prefeitura.

Já Bertioga tem um índice de coleta maior, chegando a 900 toneladas de recicláveis no ano passado. Neste ano, até julho, foram coletadas 346 toneladas pela coleta seletiva, serviço feito pela Cooperativa de Triagem de Sucata União de Bertioga (Coopersubert).

Para os bairros que ainda não contam com o serviço, a Secretaria de Meio Ambiente disponibilizou os 'Locais de Entrega Voluntária' (LEVs), que são estabelecimentos comerciais ou repartições públicas onde são colocadas uma estrutura de ferro com um recipiente para coletar lixo reciclável, chamado de ecobag.

Segundo a assessoria, Bertioga quer sancionar uma lei de reciclagem, mas ainda não há previsão de quando isso irá acontecer.

Cubatão oferece o serviço desde 2014, e segundo a prefeitura, a população aderiu ao serviço. Mesmo assim, no primeiro semestre deste ano, foram recolhidas apenas 378 toneladas de recicláveis.

A coleta é feita por um caminhão que passa pelos bairros de segunda a sexta-feira. A cidade também possui 48 Locais de Entrega Voluntária (LEVs).

Já Itanhaém, mesmo tendo coleta seletiva há dez anos, recolhe menos de 150 toneladas de recicláveis por ano. Por mês, os dez cooperados da Cooperativa de Catadores CoopersolReciclando conseguem comercializar 12 toneladas de material.

De acordo com a prefeitura, o município, ao lado da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, está elaborando uma lei de reciclagem, ainda sem prazo estabelecido.

Em São Vicente, a média mensal é de 100 toneladas de recicláveis, encaminhadas para a Coopernatureza. A coleta por lá conta com cinco caminhões.

Praia Grande e Peruíbe não responderam aos questionamentos da reportagem.

GUARUJÁ SEM COLETA

Em Guarujá, a coleta seletiva ainda não foi implantada. Na cidade existem apenas "pontos de entrega voluntária", ou seja, quem quer reciclar precisa ir até uma das quatro estações de sustentabilidade disponibilizadas pelos bairros.

A falta da coleta seletiva se reflete nos números apresentados pela cidade: no período entre maio de 2018 e abril de 2019, 131 mil toneladas de resíduos sólidos foram coletadas, pouco mais de 1 mil foram recicladas - ou seja, só 1,26% de tudo que foi recolhido foi reciclado.

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