Centro de referência LGBT é inaugurado em São Paulo

No local, vão trabalhar 20 profissionais, entre psicólogos, advogados e assistentes sociais, que prestarão atendimento às vítimas de homofobia

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27 MAR 201518h46

O Centro de Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero), no bairro do Arouche, na região central de São Paulo, foi inaugurado hoje (27) pelo prefeito Fernando Haddad e pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti. No local, vão trabalhar 20 profissionais, entre psicólogos, advogados e assistentes sociais, que prestarão atendimento às vítimas de homofobia. Elas receberão orientação jurídica e psicológica gratuitamente.

As pessoas também poderão assistir a palestras, debates e fazer testes de HIV. O centro substituirá o serviço da prefeitura que funcionava no Pátio do Colégio (local onde foi erguida a primeira construção que deu origem à cidade de São Paulo), também no centro. O espaço fica aberto de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 21h. Foram investidos no centro R$ 1,2 milhão, recursos da prefeitura e do governo federal.

De acordo com o coordenador de Políticas LGBT do município, Alessandro Melchior, o Largo do Arouche é um espaço de maior frequência da população LGBT do Brasil. “Há registros de que a população LGBT frequenta o Largo do Arouche desde 1930. Uma das questões centrais da prefeitura, foi a necessidade de que os serviços públicos cheguem onde a população está. A equipe é muito grande e este talvez seja o maior centro de referência LGBT do Brasil”.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, destacou a situação de vulnerabilidade da população LGBT. Por isso, ela é um dos alvos das políticas públicas da secretaria. De acordo com a ministra, é necessário enfrentar o preconceito, a violência e o não reconhecimento do direito de a pessoa ser o que é.

“É um trabalho cotidiano que só pode ser feito com estrutura física e trabalho permanente de mudança da cultura. Toda forma de violência e de preconceito tem sua origem na afirmação 'eu tenho direito, ele não tem'. Há uma concepção de poder”, disse. Ideli ressaltou que essa população muitas vezes não sabe os direitos que tem, e a existência de um centro de referência é fundamental para acolher, orientar e encaminhar.

A coordenadora do Fórum Paulista LGBT, Fernanda de Moraes, avaliou que o centro será um grande instrumento no combate à homofobia e representa um avanço. “Este se tornará um polo e um ponto positivo para a população LGBT, porque reunirá serviços como o de psicologia, jurídico e assistência social. Isso será importante para agregar essa população que precisa desse atendimento para ter seus direitos garantidos”. 

Segundo a Coordenadoria de Políticas LGBT do município, entre 2012 e 2013, a capital paulista registrou 450 casos de violação de direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.