Carteiros param e fazem passeata em Guarujá e Vicente de Carvalho

O prefeito Valter Suman disse que vai se empenhar, junto ao Governo do Estado, na busca de reforço de policiais para melhorar a segurança

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01 JUN 2017Por Da Reportagem19h31
Após assembleia em frente à agência de Vicente de Carvalho, carteiros seguiram em passeata pela Av. Santos DumontApós assembleia em frente à agência de Vicente de Carvalho, carteiros seguiram em passeata pela Av. Santos DumontFoto: Diário do Litoral

O que o Diário do Litoral havia adiantado na última quarta-feira (31) aconteceu. Hoje (1) de manhã, dezenas de carteiros que trabalham em Guarujá e no Distrito de Vicente de Carvalho pararam e, em passeata, seguiram pela Avenida Santos Dumont em protesto contra os assaltos e agressões que vêm sofrendo frequentemente. Só nos últimos seis meses, foram mais de 40 casos. Além de faixas e carro de som, os carteiros portavam um varal com cópias de dezenas de boletins de ocorrência.  

A decisão de cruzar os braços e andar pela principal via do Distrito foi tomada por volta das 9 horas em frente à Agência dos Correios, no número 935 da avenida.

Os carteiros seguiram até a Praça 14 Bis, sempre acompanhados de viaturas da Guarda Municipal e Polícia Militar, e depois retornam até A Prefeitura de Guarujá, onde uma comissão foi recebida pelo prefeito Válter Suman e representantes da polícias.

Morto

“Não queremos ter que reconhecer o corpo de um companheiro após ser morto em um assalto qualquer”, desabafou o presidente Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicações Postais, Telegráficas, Telemáticas, Franqueadas e Similares da Região do Litoral Centro Sul do Estado de São Paulo (Sintectsantos), momentos antes da ­caminhada.

O secretário geral da entidade, Márcio Anselmo Farina, revelou que o prefeito prometeu empenho no sentido de cobrar do Governo do Estado a vinda da Operação Delegada e reforço policial ao município.

“Os trabalhadores dos Correios estão levando murros, tapas na cara e coronhadas em quase todos os bairros de Vicente de Carvalho e nos mais afastados de Guarujá como, por exemplo, o Perequê. Não há mais como trabalhar. Os profissionais saem somente com a roupa do corpo e sem qualquer mercadoria de valor”, ratificou Farina.

Ele já havia salientado que os carteiros não estão fazendo mais entregas em vários bairros e as pessoas estão retirando suas encomendas nas agências.

Durante a caminhada, um carteiro que preferiu não se identificar resumiu o drama de quem está na rua todos os dias nas ruas da cidade.

“Tem companheiro que é assaltado cinco vezes num único dia. Não há condições psicológicas para ir para a rua. Muitos estão se afastando por conta da pressão. Na última vez, levaram nove encomendas que eu estava entregando e mostraram uma arma. Esse ato é para mostrar para a sociedade e autoridades o que estamos sofrendo. A violência não atinge apenas os carteiros de Guarujá, mas nas outras cidades também. Uma pessoa chega próximo da gente para pedir uma simples informação e o coração já dispara. Não dá para saber quem é do bem ou do mal”, finaliza.