Cotidiano

Canais de Saturnino: Por que o sistema que salvou Santos há 100 anos precisa de ajuda agora?

Câmara mobiliza especialistas para discutir se as regras de preservação histórica estão impedindo a modernização da drenagem urbana

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 14/04/2026 às 19:31

Atualizado em 14/04/2026 às 19:48

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Possíveis intervenções nos canais de Santos são debatidas na Câmara Municipal / Nair Bueno/DL

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A Câmara de Santos aprovou requerimento do vereador Allison Sales (PL) para questionar a Prefeitura sobre a existência de estudos voltados à eventual revisão do tombamento dos canais de drenagem da cidade, caso isso seja necessário para permitir futuras intervenções estruturais de modernização no sistema.

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O tema gerou debate no plenário e reacendeu a discussão sobre como conciliar a preservação de um dos maiores patrimônios urbanísticos santistas com a necessidade de atualizar a infraestrutura contra enchentes.

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Ao defender a proposta, Allison afirmou que seu objetivo não é descaracterizar ou cobrir os canais, mas discutir alternativas para melhorar a eficiência da drenagem urbana.

“Não é destombar o canal para cobrir, para ter estacionamento. É para melhorar a questão da água, que precisa sair da Cidade”, afirmou o parlamentar.

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Durante a discussão em plenário, vereadores defenderam que qualquer debate sobre alterações no sistema seja feito com cautela, respeitando a relevância histórica e urbanística dos canais.

Parlamentares sugeriram a realização de uma audiência pública com especialistas em engenharia, urbanismo, patrimônio histórico e drenagem para discutir possíveis caminhos de modernização sem comprometer a integridade do conjunto tombado.

Prefeitura de Santos já trabalha em ações de modernização baseadas em estudos técnicos recentesPrefeitura de Santos já trabalha em ações de modernização baseadas em estudos técnicos recentes (Renan Lousada/DL)

Prefeitura já prepara intervenções

Líder do governo na Câmara, o vereador Cacá Teixeira (PSDB) afirmou que a Prefeitura já trabalha em ações de modernização baseadas em estudos técnicos recentes.

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Segundo ele, há um planejamento de obras estruturais previsto entre este ano e 2028, fundamentado em um “diagnóstico técnico de intervenções” concluído no ano passado.

Embora não tenha detalhado quais obras serão executadas, Cacá elogiou a iniciativa de Allison por provocar o debate.

Entre as propostas levantadas pelos vereadores durante a sessão, uma das principais foi a necessidade de remodelação do sistema de comportas dos canais — mecanismo essencial para controlar o fluxo das águas durante marés altas e chuvas intensas.

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Para o vereador Marcos Caseiro (PT), a atualização dessas estruturas é prioritária para tornar a drenagem mais eficiente e reduzir os episódios de alagamento em diferentes regiões da cidade.

Allison Sales afirmou que pretende mobilizar especialistas para participar da audiência pública e se colocou à disposição para auxiliar a administração municipal na busca por recursos para futuras obras.

A discussão ocorre em meio ao aumento da preocupação com eventos climáticos extremos e episódios recorrentes de enchentes em Santos, que têm pressionado o poder público a reavaliar a capacidade de resposta de estruturas históricas projetadas para uma realidade urbana e climática muito diferente da atual.

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O debate agora deve avançar para a esfera técnica, onde especialistas terão a missão de apontar se o sistema concebido há mais de um século pode ser adaptado às novas demandas sem perder seu valor patrimonial.

A falta de vagas para estacionamento é uma das razões para debater destombamento dos canaisA falta de vagas para estacionamento é uma das razões para debater destombamento dos canais (Renan Lousada/DL)

Patrimônio histórico e símbolo da urbanização de Santos

Os canais de Santos são considerados uma das principais marcas urbanísticas do município e integram um sistema de drenagem planejado no início do século XX pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, responsável por revolucionar o saneamento da cidade.

Implantado a partir de 1907, o projeto foi concebido para combater epidemias e resolver os graves problemas de alagamento e insalubridade que atingiam Santos em razão do solo de mangue e da falta de escoamento adequado das águas.

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Além de sua função sanitária e hidráulica, o sistema se tornou um elemento identitário da paisagem urbana santista. Ao longo das décadas, os canais passaram a ser reconhecidos como patrimônio histórico e cultural do município, com tombamento que protege sua configuração arquitetônica e urbanística original.

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