Cotidiano
Câmara mobiliza especialistas para discutir se as regras de preservação histórica estão impedindo a modernização da drenagem urbana
Possíveis intervenções nos canais de Santos são debatidas na Câmara Municipal / Nair Bueno/DL
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A Câmara de Santos aprovou requerimento do vereador Allison Sales (PL) para questionar a Prefeitura sobre a existência de estudos voltados à eventual revisão do tombamento dos canais de drenagem da cidade, caso isso seja necessário para permitir futuras intervenções estruturais de modernização no sistema.
O tema gerou debate no plenário e reacendeu a discussão sobre como conciliar a preservação de um dos maiores patrimônios urbanísticos santistas com a necessidade de atualizar a infraestrutura contra enchentes.
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Ao defender a proposta, Allison afirmou que seu objetivo não é descaracterizar ou cobrir os canais, mas discutir alternativas para melhorar a eficiência da drenagem urbana.
“Não é destombar o canal para cobrir, para ter estacionamento. É para melhorar a questão da água, que precisa sair da Cidade”, afirmou o parlamentar.
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Durante a discussão em plenário, vereadores defenderam que qualquer debate sobre alterações no sistema seja feito com cautela, respeitando a relevância histórica e urbanística dos canais.
Parlamentares sugeriram a realização de uma audiência pública com especialistas em engenharia, urbanismo, patrimônio histórico e drenagem para discutir possíveis caminhos de modernização sem comprometer a integridade do conjunto tombado.
Prefeitura de Santos já trabalha em ações de modernização baseadas em estudos técnicos recentes (Renan Lousada/DL)Líder do governo na Câmara, o vereador Cacá Teixeira (PSDB) afirmou que a Prefeitura já trabalha em ações de modernização baseadas em estudos técnicos recentes.
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Segundo ele, há um planejamento de obras estruturais previsto entre este ano e 2028, fundamentado em um “diagnóstico técnico de intervenções” concluído no ano passado.
Embora não tenha detalhado quais obras serão executadas, Cacá elogiou a iniciativa de Allison por provocar o debate.
Entre as propostas levantadas pelos vereadores durante a sessão, uma das principais foi a necessidade de remodelação do sistema de comportas dos canais — mecanismo essencial para controlar o fluxo das águas durante marés altas e chuvas intensas.
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Para o vereador Marcos Caseiro (PT), a atualização dessas estruturas é prioritária para tornar a drenagem mais eficiente e reduzir os episódios de alagamento em diferentes regiões da cidade.
Allison Sales afirmou que pretende mobilizar especialistas para participar da audiência pública e se colocou à disposição para auxiliar a administração municipal na busca por recursos para futuras obras.
A discussão ocorre em meio ao aumento da preocupação com eventos climáticos extremos e episódios recorrentes de enchentes em Santos, que têm pressionado o poder público a reavaliar a capacidade de resposta de estruturas históricas projetadas para uma realidade urbana e climática muito diferente da atual.
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O debate agora deve avançar para a esfera técnica, onde especialistas terão a missão de apontar se o sistema concebido há mais de um século pode ser adaptado às novas demandas sem perder seu valor patrimonial.
A falta de vagas para estacionamento é uma das razões para debater destombamento dos canais (Renan Lousada/DL)Os canais de Santos são considerados uma das principais marcas urbanísticas do município e integram um sistema de drenagem planejado no início do século XX pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, responsável por revolucionar o saneamento da cidade.
Implantado a partir de 1907, o projeto foi concebido para combater epidemias e resolver os graves problemas de alagamento e insalubridade que atingiam Santos em razão do solo de mangue e da falta de escoamento adequado das águas.
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Além de sua função sanitária e hidráulica, o sistema se tornou um elemento identitário da paisagem urbana santista. Ao longo das décadas, os canais passaram a ser reconhecidos como patrimônio histórico e cultural do município, com tombamento que protege sua configuração arquitetônica e urbanística original.