Baixada Santista pode ter novo surto de dengue

Para o infectologista Evaldo Stanislau, a região corre risco de nova epidemia da doença em 2019

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30 NOV 2018Por Caroline Souza08h00
Pneus abandonados a céu aberto se transformam em focos de mosquito Aedes aegyptiPneus abandonados a céu aberto se transformam em focos de mosquito Aedes aegyptiFoto: Nair Bueno/DL

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Aedes Aegypti. O objetivo é alertar a população sobre a importância em eliminar e evitar criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Na Baixada Santista, há risco de surto de dengue em 2019, segundo o infectologista Evaldo ­Stanislau.

Por conta das chuvas, o período do verão é o mais propício à proliferação do mosquito e, consequentemente, de maior risco de infecção por essas doenças.

“A dengue já é conhecida e o tratamento é relativamente simples. No entanto, os últimos anos apresentaram baixos números de casos, dizemos que estamos em queda, sem epidemia, por isso há um risco concreto de surto em 2019”, comenta Stanislau.

Em Santos, de janeiro a outubro de 2017 foram 32 casos da doença. O mesmo número foi registrado em igual período deste ano. As outras cidades da Baixada Santista confirmaram os seguintes números até o momento: Guarujá (34), Bertioga (11), Cubatão (7), São Vicente (16), Praia Grande (6), Mongaguá (1 caso importado), Itanhaém (5) e ­Peruíbe (1).

Para se ter uma ideia dos anos em que as cidades tiveram surto, Peruíbe chegou a registrar 200 casos em 2015 e 113 em 2016; Já em Guarujá foram 905 casos em 2016.

A última semana de novembro foi escolhida como Semana do Combate ao Mosquito por ser considerado o período pré-epidêmico, ou seja, a partir de agora os números de casos de dengue tendem a subir. Todas as prefeituras da região intensificaram as ações de combate e conscientização.

Plano de prevenção

O Departamento de Vigilância em Saúde de Santos já começou a redigir o Plano de Prevenção e Combate às Arboviroses de 2019. Trata-se de um planejamento sobre como será realizado o atendimento aos pacientes com dengue, zika, chikungunya e febre amarela; as ações de prevenção; as medidas de comunicação e mídia; os treinamentos voltados às redes pública e particular de saúde, entre outros aspectos.

“Discriminamos passo a passo tudo o que vamos fazer, inclusive contratação de serviços, aquisição de insumos, realização de forças-tarefas, mutirões, ações da equipe educativa, a rede laboratorial”, informa Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde. “O plano é importante para direcionar nossas ações e passa por revisões mensais para se adequar à realidade que se apresenta no momento”, completa.

A expectativa é que o documento esteja pronto, apresentado à Secretaria de Estado da Saúde e aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde em dezembro.

Outras doenças

A Chikungunya também preocupa o infectologista, pois, segundo ele, apesar dos números pequenos até o momento, o vírus está na região.

“É uma doença de grande impacto e está esperando a oportunidade para aparecer. Além disso, ao contrário da dengue, é pouco conhecida por médicos e população”, explica.

A febre amarela também está na região e é uma doença de ciclo silvestre, por isso a vacinação é tão importante. A doença tem alta letalidade, em torno de 40%, o que torna a situação mais grave. De acordo com recomendação do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal deve ser de, no mínimo, 95% da ­população.

“A necessidade dessa vacinação preventiva é fundamental na febre amarela porque se a maioria da população dessas áreas recomendadas estiver vacinada, quando houver o pico da doença em dezembro, a necessidade será apenas de um bloqueio vacinal e não veremos correria e enormes filas em busca da vacina”, afirma Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações.

O público-alvo para vacinação contra a Febre Amarela são pessoas a partir de nove meses de idade, que não tenham comprovação de vacinação.

Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema de dose única da vacina, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde, respaldada em estudos que asseguram que uma dose é suficiente para a proteção por toda a vida.

Já com relação à Zika, Stanislau alega que é a doença de menor preocupação para a Baixada Santista neste momento.