‘As mulheres podem’, disse Marcia Rosa sobre inserção na construção civil

O Centro da Usiminas, em Cubatão, foi inaugurado com a primeira aula dos cursos de pedreira e armadora

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10 JAN 201319h19

Ontem foi o primeiro dia de aula de 48 mulheres matriculadas nos cursos de pedreira assentadora e armadora de ferros, no Centro de Qualificação Profissional da Mulher, da Usiminas, em Cubatão. O Centro de Qualificação, que é fruto de uma parceria entre Prefeitura de Cubatão, Senai e Usiminas, foi inaugurado ontem com solenidade. Com essa iniciativa na área de construção civil, Cubatão dá mais um passo na vanguarda da qualificação de mão-de-obra feminina para atividades exercidas em sua maioria por homens.

“As mulheres estão construindo uma nova história não só para Cubatão, mas para o País. Então, nesse primeiro momento os cursos vão formar pedreiras, armadoras, eletricistas na área da construção civil. O grande desafio é este. Temos hoje no Senai 25% de mulheres e a tendência é aumentar e fazer com que a mulher ocupe de fato a construção civil que sempre foi uma área em que a mulher nunca pôde entrar”, declarou a prefeita de Cubatão Márcia Rosa de Mendonça Silva.

“No sistema de transporte público nós já somos maioria, na vigilância (próprios públicos) também. Agora esse espaço da construção civil é uma área em que o Brasil está precisando. Está faltando mão-de-obra. Se hoje essa área não é mais tão interessante para os homens é para nós mulheres. Estamos abrindo portas”, declarou. Márcia Rosa ainda complementou: “As mulheres podem”, ao responder a pergunta da reportagem em alusão à declaração do presidente dos EUA, Barack Obama, quando foi eleito.

Nesta etapa inicial foram abertas 48 vagas para os cursos de pedreira assentadora e armadora de ferro. Cada turma terá 16 alunas. Após o término serão abertas mais 48 vagas para eletricista instaladora, pintora de obras e pedreira de revestimento. A segunda etapa de cursos deve iniciar em setembro.

“Com certeza abre portas para o mercado de trabalho porque a marca Senai, em matéria de qualificação profissional nesse país não tem melhor”, afirmou o diretor da Unidade de Formação Profissional do Senai Cubatão, Antonio Carlos Lago Machado.

Entretanto, embora os cursos sejam ministrados na Usiminas, não há garantia de aproveitamento imediato dessa mão-de-obra pela siderúrgica. “Obviamente as oportunidades vão surgir por intermédio das empresas parceiras que atuam na área da construção civil, uma vez que a Usiminas não atua diretamente nessa área.

Mas o importante é que nós vamos estar qualificando profissionais mulheres para o mercado de trabalho, independente se vão vir trabalhar na Usiminas ou não”, explicou o assessor de Planejamento e Controle da Diretoria da Usina de Cubatão Valdomiro Roman da Silva.

Maria Aparecida dos Santos Melo, 24 anos, é uma das alunas do curso de pedreira. Ex-agente de saúde, Maria Aparecida decidiu mudar radicalmente de ramo. “Eu quis dar uma mudada geral. Se eu não conseguir um emprego de pedreira eu posso até arrumar a minha casa. É uma ajuda até para mim mesma”, afirmou.

O trabalho é árduo e a preocupação com a vaidade existe. “As minhas mãos vão ficar cheias de calos, mas eu vou agüentar”, aposta Maria Aparecida. Ainda aspirante em uma área praticamente masculina, a futura ‘pedreira’ defende seu passe, mostrando que um toque feminino faz toda a diferença na realização de uma obra. “Nós somos mais caprichosas, organizadas. Não vamos fazer aquela bagunça que o pedreiro deixa na casa da gente. O mesmo espaço que o homem tem no mercado de trabalho a gente também tem que conseguir”.