O dia era 1° de janeiro de 2017 e depois de 20 anos de vida pública, dois mandatos como vereador e um biênio como presidente da Casa de Leis, Pedro Gouvêa (PMDB) assumia o cargo de prefeito de São Vicente após vencer Kayo Amado e Junior Bozzella logo no primeiro turno das eleições de 2016. A data, que deveria ser motivo de celebrações para o chefe do Executivo, entretanto, foi marcada por um cenário pra lá de indigesto.
Servidores sem 13°, escolas paradas, unidades de saúde pedindo socorro e crateras. Muitas crateras. O cenário de terra arrasada deixado pelo ex-prefeito Luis Cláudio Bili foi um dos primeiros grandes desafios enfrentados pelo recém-empossado Pedro Gouvêa.
Mais de três anos depois e já se preparando para encerrar um ciclo, ou quem sabe estendê-lo (mais sobre isso a seguir), Gouvêa diz que celebra cada dia como uma vitória, mesmo com crises inesperadas devido a atritos com o Governo Estadual e a situação angustiante vivida pelos moradores que necessitam da Ponte dos Barreiros.
O Diário do Litoral foi até a prefeitura para conversar com o chefe do executivo sobre o que pode ser esperado dele pelos próximos 11 meses, com exceção da área de Saúde, que ganhou um espaço só dela nesta edição, e quem sabe até mesmo do futuro em meio a crises recém-iniciadas.
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Diário do Litoral – Quais são os avanços que o senhor projeta para estes próximos 12 meses?
Pedro Gouvêa – Nós temos 60 unidades escolares e 60 creches em funcionamento hoje. São 120 unidades com a maior rede de ensino do litoral e vamos uniformizar 100% dos nossos alunos nesse começo do ano. Durante estes últimos três anos nós realizamos reformas em algumas de nossas escolas enquanto entregamos algumas outras e neste 2020 vamos seguir com essas reformas. Temos um cronograma que aponta que, até o fim deste ano, ao menos mais oito escolas serão reformadas. Isso tudo é um ganho e vamos inaugurar mais três creches, duas na área continental e uma na área insular.
Ainda na educação temos trabalhado para uma questão que é prioridade nossa: Alguns anos atrás, a cidade de São Vicente, quando os alunos quando tinham duas horas de aula, eles eram dispensados porque não tinham alimentação escolar. A gente prioriza uma alimentação escolar de qualidade. Todas nossas escolas têm alimentação balanceada para ter o período mínimo letivo em funcionamento, algo que não havia antes. Damos muita atenção à educação para atender estes quase 55 mil estudantes que temos.
Diário – O pessoal da Área Continental acredita que é muito negligenciado. O que os moradores podem esperar?
Gouvêa – Das cinco creches que teremos entregues neste período de aniversário, quatro estão na área continental e isso demonstra como a gente enxerga, exatamente como a população enxerga, que há uma necessidade de investimento na Área Continental, que hoje conta com quatro creches novas e teremos mais duas entregues até o final de 2020 e isso demonstra todo nosso cuidado com a Área Continental.
Nós teremos uma escola nova até o final de 2020 e essa escola também é na Área Continental de São Vicente. Estamos agora finalizando a duplicação da Avenida Quarentenário. Com a terceira fase sendo finalizada, dentro dos próximos 90 dias, existirá também uma nova iluminação ao mesmo tempo em que a levamos a alguns bairros, praças e a lagoa do quarentenário.
Não tinha Bombeiros na Área Continental, mas levamos para lá junto com uma universidade pública e inauguramos equipamento de saúde importantíssimo que fica no Rio Branco.
Diário – Prevê que a Área Continental se equipare com a insular um dia?
Gouvêa – Não só populacional como em condições. Esse é sem sombra de dúvidas meu grande sonho: fazer com que a Área Continental cresça e se desenvolva na mesma proporção em que recebemos novos moradores. Ao longo dos anos, historicamente, os conjuntos habitacionais foram construídos na Continental, mas com pouca infraestrutura para receber essa população. Há um histórico de formação irregular e precisamos correr atrás do prejuízo então a gente precisa dar continuidade a todos esses investimentos que vêm sendo feitos.
Um exemplo: mandamos para a Câmara a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que deverá trazer para a Área Continental um novo momento que será um divisor de águas. Só de termos aprovado o plano diretor lá atrás eu já tenho um volume de sondagem de áreas da Área Continental para novos investimentos, empreendimentos imobiliários, empreendimentos que vão levar galpões para que empresas possam se instalar na Área Continental é enorme. Tem um volume de projetos que dão entrada na secretaria de obras que é muito grande quando comparado a outros períodos. Com a lei aprovada pela Câmara, acredito que já neste início do ano, vai dar um avanço significativo na Área Continental que vai trazer emprego, melhorar a economia e automaticamente vem a infraestrutura no entorno, então a gente tem uma expectativa muito boa para a Área Continental.
Diário – E o que a população pode esperar sobre a Ponte dos Barreiros?
Gouvêa – Não foi um problema que eu causei, mas aconteceu durante meu período como prefeito, então a responsabilidade é minha, mas demos uma resposta com ajuda do Governo Federal, da deputada Rosana Valle (PSB), e de diversos outros deputados que vieram nos ajudar. Então são problemas que surgem, mas que a gente tem trazido soluções. Não tem como governar uma cidade como São Vicente sem encarar os problemas. É um governo feito de conquistas.
Nós pegamos a cidade com escolas funcionando meio período, funcionários em greve, salários atrasados, 13° atrasado, manifestações no primeiro dia e governamos a cidade de uma maneira crescente. Hoje São Vicente se encontra em outro patamar, haja vista a questão de certidões, hoje conseguimos buscar financiamentos, hoje eu consigo dinheiro do Governo do Estado, do Federal, a cidade estava no Cadastro de Inadimplentes (Cadin). Conseguimos trazer R$ 58 milhões do Governo Federal, se fosse em outro governo, não conseguiria, então a cidade passa por outro momento.
Já está contratado um projeto executivo para que possamos fazer a contratação emergencial de uma empresa para realizar a correção das colunas [da ponte]. Paralelamente a isso, estamos fazendo a construção de todo o trecho. Espero que em até 12 meses essa situação já esteja solucionada em 100%.
Diário – Há planos para revitalizar a linha vermelha?
Gouvêa – Já fizemos uma primeira fase de revitalização da linha vermelha e agora com o Pronto-Socorro lá será necessário a gente não só revitalizar, mas reestruturar a linha vermelha. Temos programado para começar uma obra em até 60 dias para rever tudo. Vamos fazer muros de contenção, calçadas, uma obra muito positiva.
Diário – O senhor vai pra reeleição?
Gouvêa – São Vicente está no caminho certo, não podemos deixar a cidade retroceder então vamos defender nosso legado e tudo o que nosso governo conquistou até agora com uma reeleição. Sou sim candidato e buscarei este espaço que a lei nos permite e precisamos continuar com esse trabalho para entregar uma cidade muito melhor. Estamos apenas no início de uma transformação que sonhamos para São Vicente. Preparamos o caminho para isso e agora queremos concretizar tudo que ainda planejamos.




