Cotidiano
Levantamento identifica venenos banidos pela Anvisa em 155 municípios; Sul e Oeste do estado registram os índices mais preocupantes de contaminação
O Vale do Itajaí aparece como uma das áreas mais críticas / Jonatã Rocha/SECOM
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Um levantamento do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou a presença de resíduos de agrotóxicos na água potável de 155 municípios do estado — mais da metade do território catarinense. Entre as substâncias detectadas, cinco são proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O estudo analisou amostras de água tratada coletadas entre 2018 e 2023 e aponta que a contaminação não se restringe aos recursos hídricos, alcançando também o solo e o ar, o que amplia a preocupação sobre os impactos ambientais e à saúde pública.
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Ao todo, foram identificados 42 tipos de agrotóxicos. Entre eles estão benomil, carbofurano, haloxifobe metílico, metolacloro e molinato — ingredientes ativos já banidos no país.
A investigação foi solicitada pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor, vinculado ao MPSC, com o objetivo de avaliar o uso de pesticidas e seus efeitos sobre a população.
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Os dados mostram que a contaminação ocorre em diferentes regiões do estado, com maior incidência no Sul e no Oeste catarinense. O levantamento aponta:
Sul: 35 dos 46 municípios analisados (76,1%)
Grande Florianópolis: 12 municípios
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Oeste: 63 dos 118 municípios (53,5%)
Vale do Itajaí: 24 dos 54 municípios (44,4%)
Norte: 11 dos 26 municípios (42,3%)
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Serra: 10 dos 30 municípios (33,3%)
O Vale do Itajaí aparece como uma das áreas mais críticas. No município de Imbuia, foram detectados 17 pesticidas diferentes em apenas dois anos, incluindo dois compostos proibidos desde 2019 e um fungicida em concentração considerada elevada.
Em Ituporanga, também na região, foram identificados 23 ingredientes ativos, sendo que nove apresentaram níveis superiores a 1 micrograma por litro, patamar que pode indicar risco dependendo do padrão adotado.
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As análises foram incorporadas ao Programa Alimento Sem Risco, que acompanha a presença de pesticidas no estado.
A partir dos resultados, o MPSC pretende atuar em conjunto com órgãos de saúde, agricultura e defesa do consumidor para orientar a população e promover ações de conscientização sobre o uso de agrotóxicos.
A proposta inclui a criação de grupos intersetoriais voltados à prevenção de riscos ambientais e à proteção da saúde pública, diante do avanço da contaminação detectada nas análises.
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