Além da Crystal: Coca-Cola já teve outra marca de água colhida pelo mesmo motivo; entenda o caso

Bactéria que motivou a retirada da água Crystal no país é a mesma que acendeu o sinal de alerta nos EUA após falha no lote da marca Topo Chico, também pertencente à Coca-Cola

no Brasil repete cenário vívido pela gigante das bebidas em 2025, quando a marca Topo Chico foi retirada das prateleiras americanas pelo mesmo motivo/Divulgação

No Brasil, se repete o cenário vívido pela gigante das bebidas em 2025, quando a marca Topo Chico foi retirada das prateleiras americanas pelo mesmo motivo/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quarta-feira (3), a Resolução 2.247/2026, na qual comunica o recolhimento voluntário do lote LZ1 VAL200127 3 P 200126 da Água Mineral Natural sem Gás da marca Crystal, que faz parte do Grupo Coca-Cola. Contudo, não é a primeira vez que o grupo passa por um escândalo de contaminação.

No ano passado, uma outra marca de água pertencente ao grupo precisou recolher alguns lotes de água devido a contaminação da bactéria Pseudomonas, a mesma encontrada na água da marca Crystal. A marca mexicana Topo-Chico, presente no país latino e nos Estados Unidos, sofreu com a mesma situação.

No caso brasileiro, o lote contaminado é composto por 374,4 mil garrafas de 500 ml. Ele foi distribuído no Distrito Federal (230.443 unidades), em cidades vizinhas de Goiás (66.768), em Tocantins (1.439) e no interior de São Paulo (75.750). Ainda assim, segundo a Mineração Bom Jesus, até o momento não há registro de reclamações de consumidores relacionadas a esse lote nos canais oficiais de atendimento.

Conheça mais sobre a bactéria e a Marca Topo-Chico abaixo:

O que é a bactéria Pseudomonas e por que ela preocupa?

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada no solo, na água e em ambientes úmidos, como pias, sanitários, piscinas mal tratadas e superfícies, conforme informações do Manual MSD. Em indivíduos saudáveis, ela pode estar presente sem causar sintomas. Contudo, o grupo de maior risco inclui portadores de diabetes, pessoas com fibrose cística, pacientes com baixa imunidade e aqueles que utilizam medicamentos imunossupressores.

Além disso, algumas cepas desse agente biológico são mais resistentes ao tratamento com antibióticos, o que agrava ainda mais o quadro clínico.

As infecções provocadas pela Pseudomonas aeruginosa podem atingir válvulas cardíacas, correntes sanguíneas, ouvidos, pulmões, olhos, ossos, articulações e trato urinário. Quando atinge a corrente sanguínea, pode haver risco de choque infeccioso. Portanto, se não tratada corretamente, a infecção pode levar à morte.

Em quadros externos leves, os sintomas incluem coceira, dor, irritações na pele e secreção. Já os quadros graves podem evoluir para pneumonia hospitalar, especialmente em pacientes internados que utilizam respiradores mecânicos.

Como ocorre a contaminação?

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria ubíqua em ambientes aquáticos e úmidos. Ela consegue sobreviver em condições marginais se o produto tiver pH acima de 4,5 ou perder pressão de CO₂, como em garrafas mal vedadas. A bactéria não cresce em ambientes anaeróbicos, mas pode persistir se houver oxigênio dissolvido.

A fonte da contaminação pode ser atribuída a falhas no processo de sanitização de equipamentos, recipientes ou linhas de envase. Do mesmo modo, o tratamento insuficiente da água de origem ou o manuseio inadequado após a carbonatação em condições não assépticas também explicam o problema.

Este não é o primeiro caso da marca

Em 2025, a Coca-Cola Company anunciou o recolhimento voluntário de 241 caixas de água mineral com gás Topo Chico (garrafas de 500 mL) devido à possível contaminação por Pseudomonas aeruginosa. Na ocasião, o distribuidor liberou por engano um lote que deveria estar em quarentena. Esse lote chegou a supermercados nos estados do Arizona, Texas, Novo México, Louisiana e Nevada, nos Estados Unidos.

Um porta-voz da Coca-Cola informou à Newsweek que todo o produto afetado foi retirado das prateleiras. Até 25 de junho daquele ano, não havia nenhum caso de doença ou reação adversa, embora o recall permanecesse ativo.

Histórico ambiental da Coca-Cola

Vale lembrar que a Coca-Cola tem um histórico questionável em relação ao seu impacto na saúde humana e no planeta. A empresa figura constantemente na lista dos piores poluidores de plástico do mundo, com base em auditorias da organização Break Free From Plastic. Em 2024, a Coca-Cola era a maior produtora conhecida de resíduos plásticos de marca no mundo, de acordo com um estudo divulgado pela Axios.

A produção e o uso de plástico são problemáticos por vários motivos. Isso vai desde os riscos à saúde associados aos microplásticos, particularmente em bebidas engarrafadas em plástico, até a geração de gases que retêm calor e aquecem o planeta.