23ª Parada do Orgulho LGBT reúne milhares em São Paulo

"Vote 24! Chapa Eva e Adão, é viadão!, diz a drag Mona Alisa, 21, em seus primeiros cinco minutos na Paulista, o trocadilho seguido de uma gargalhada barítona.

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23 JUN 2019Por Folhapress19h10
Número de participantes em 2018 foi muito semelhante à 2019.Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

"Vote 24! Chapa Eva e Adão, é viadão!, diz a drag Mona Alisa, 21, em seus primeiros cinco minutos na Paulista, o trocadilho seguido de uma gargalhada barítona.

Ela deu largada em sua "campanha eleitoral" às 10h deste domingo (23), quando a avenida começava a encher para a  23ª edição da Parada Gay paulista.

O evento acontece numa "encruzilhada histórica", segundo Mona. Por um lado, a comunidade LGBT+ "está aterrorizada com esta família", diz em referência ao clã Bolsonaro. 

Para ela, a presidência de Jair Bolsonaro fortaleceu um rebote ultraconservador contra o grupo.

Mas nem tudo está perdido, continua. Ela lembra que um dos maiores pleitos LGBT foi enfim atendido: a homofobia e a transfobia entraram no rol dos crimes de racismo após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Magali, 60, foi à Parada para acompanhar os dois filhos. Quando eles, primeiro o caçula e depois o mais velho, revelaram que eram gays, ela admite: morreu de medo. "O mundo ainda não vai ser fácil pra eles. Na nossa cidade o pessoal até sabe que eles são [homossexuais], ficam dizendo que tudo bem, desde que não comecem com 'boiolagem'. Acho triste."

Eles vieram do interior paulista, e os meninos, de 16 e 17 anos, pela primeira vez usavam maquiagem para passear na rua. 

Até aqui, no máximo, batom só se fosse em festinhas fechadas. 

Ninguém da família conhecia a revolta de Stonewall, tema desta edição. Há 50 anos, LGBTs de Nova York protestaram contra violentas batidas policiais realizadas num bar da cidade, o Stonewall Inn.

Na época, todos os estados americanos consideravam ilegais  relações entre pessoas do mesmo sexo. 

"Ah, tipo o Brasil de hoje, pelo menos na prática", disse o filho mais novo de Magali. "Para algumas pessoas, parece que ser gay é criminoso."

A parada terá trios comandados por shows de artistas como Iza, Mc Pocahontas, Luísa Sonza, Fantine, Lexa e da drag queen Gloria Groove, entre outras. 

"A gente resiste, existe, insiste. E arrasa", afirma Mona Alisa, abrindo o leque nas cores do arco-íris. "Deu até calor."

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