Sorocaba fará rodízio de água devido ao baixo nível dos reservatórios

Cerca de 52 mil pessoas deverão ser afetadas pelo racionamento

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15 SET 2020Por Folhapress19h06
Sorocaba irá iniciar um rodízio de água a partir da próxima quinta-feira (17)Foto: Divulgação

O município de Sorocaba (105 km de SP) irá iniciar um rodízio de água a partir da próxima quinta-feira (17). Anunciada no início da semana pelo Saee (autarquia que opera o serviço de água e esgoto na cidade), a medida é decorrente do aumento no consumo e da falta de chuvas na região. Cerca de 52 mil pessoas deverão ser afetadas pelo racionamento. Segundo o Saee, o consumo de água no município chegou a superar em 50% o nível de considerado normal pela empresa. Desde o início da pandemia da Covid-19, a utilização média dos recursos hídricos subiu 20%.

Além disso, as represas do sistema Castelinho/Ferraz, que abastecem a cidade, estão operando com volume de armazenamento entre 18% e 20%. A autarquia informa que os reservatórios estão "com declínio diário, resultado da redução drástica dos índices pluviométricos", principalmente nos meses entre julho e setembro.

Ainda de acordo com a companhia, "se não forem tomadas ações neste momento, os dois mananciais correm o risco de chegar a um ponto crítico, impossibilitando a captação". A empresa sustenta que "não há previsão, pelo menos em curto prazo, de precipitações em volume significativo, que permitam a recuperação" da situação das represas.

O racionamento irá atingir os moradores dos bairros Éden, Cajuru, Aparecidinha e Zona Industrial. O rodízio funcionará da seguinte maneira: 12 horas de abastecimento normal e 12 horas de interrupção.

O Saae informa que a área afetada será dividida em três grupos. Os bairros do Éden e Aparecidinha receberão água entre 6h e 18h e terão corte das 18h às 6h. Na região do Cajuru, será o contrário: abastecimento das 18h às 6h e interrupção no fornecimento entre 18h e 6h. A empresa diz que os horários foram definidos conforme as características de cada local.

No caso de serviços essenciais, como hospitais, maternidades, Unidades Básicas de Saúde, creches, escolas, unidades prisionais e postos do Corpo de Bombeiros terão o abastecimento mantido normalmente, seja pelos meios regulares ou por caminhões-pipa.

As equipes técnicas da autarquia farão uma reavaliação da situação a cada sete dias até que sejam verificadas condições para o fim do racionamento. Ainda não há previsão de data para que a medida emergencial seja encerrada.

Em Tanabi (530 km de SP), a prefeitura criou uma multa de R$ 272 para quem for pego desperdiçando água. Perto dali, também no noroeste do estado de São Paulo, a cidade de São José do Rio Preto também sofre com a estiagem. O Semae, órgão responsável pelo serviço de abastecimento no município, já trabalha com a possibilidade de implantar um rodízio nas próximas semanas.

Em Limeira (156 km de SP), o consumo elevado fez com que seis bairros ficassem sem água no último fim de semana. A concessionária responsável pelo abastecimento na cidade teve de enviar caminhões-pipa para atender algumas regiões.

Em um ano, entre os dias 9 de setembro de 2019 e de 2020, o volume de água nos mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo caiu 21,2%. Em números absolutos, as represas estão com 286 hm³ (hectômetros cúbicos) de água a menos do que no ano passado, o que equivale a 286 bilhões de litros.